que desejo de guardar este soar, para sempre. o lápis preto não consegue desenhar os caracteres de todas as emoções. um casal de andorinhas das barreiras, lindíssimas, fazem uma tentativa de amor. cartaxinhos pousam no arame farpado. apenas o arame farpado que não nos deixa sair do caminho, me rasga o braço e trás de volta à realidade. já não é possível andar pelo campo em liberdade. e aquelas vontades que nos dão e aquele pensamento que nos surge, quando estamos cagando ao vento, como escrevia bocage. agora não podemos. os senhores do alentejo não deixam.
30 março 2010
pano para mangas II
29 março 2010
27 março 2010
pano para mangas
os fins de semana no alentejo dão-me sempre pano para mangas. as idas ao mercado de évora e os cheiros fortes do queijo, que quase nos tombam para o lado, de mistura com o das tôrtas polvilhadas de canela e o sabor característico da manteiga de porco. com azeitonas! o doce e o salgado, maravilha. passamos pelo jardim público e resolvemos descansar um pouco na esplanada. conversando e ouvindo as falas dos outros. falares ibéricos, do oriente, sei lá quantos mais pela cidade. por cima de nós esvoaçam andorinhas em voos rasantes. e naturalmente a fala cantada de évora. que já na noite anterior tínhamos apreciado, no belo até amanhã de antónio murteira. de regresso a casa e ao quintal aí temos a primavera, em perfumes e cores. a passarada outra vez. pardais que vêm às migalhas do pão, pintassilgos, até caldeiranitos ou chapins, conforme a fala, algarvia ou alentejana. assim lhe chamamos nós, que a nós próprios nos chamamos humanos. como se chamarão eles entre si. cantam melros, arrulham pombos e rolas… e pelo meio o tremor de terra. subiu das profundezas em zumbido crescente e assustador e terminou em explosão. como o bing bang de qualquer coisa. correrias e gritos de aviso…agora que voltou a serenidade, pronto! acabou-se-me o espírito bucólico.
26 março 2010
mulheres meninas do alentejo
quando eu era menina e vivia no alentejo, as raparigas tornavam-se mulheres muito cedo. a mudança era quase repentina e começava com a puberdade. a partir da primeira menstruação mudava tudo. acabavam-se as brincas na rua, o sentar descuidado nos portados. era preciso preservar a todo o custo a virgindade. a mudança de estatuto de menina para mulhar era tão repentina que não dava tempo a que nos habituássemos e então era só descomposturas «fecha essas pernas», «puxa essa saia para baixo». umas boas nalgadas ajudavam a não esquecer o recado. mas o corpo crescia mais depressa que o cérebro e por vezes tinham de se realizar casamentos à pressa. antes que o vestido branco, símbolo de pureza imaculada, levantasse muito, à frente. outras fugiam com os namorados. no dia seguinte ouvia-se «fulana fugiu com sicrano», que era o mesmo que terem-se (a)juntado. fugiam sempre para casa do namorado, claro! o pai da rapariga não consentiria tais poucas vergonhas em casa. e depois a mãe é que ouvia, do pai e da vizinhança. o namoro começava cedo, quase desde a escola. rapariga que namorasse mais do que um já não era boa. algumas «nunca mais ninguém lhe pegava». como se tivessem lepra. se engravidavam e não casavam era uma desgraça. para elas e para a família. quando o namoro prosseguia sem sobressaltos, o rapaz ia para a guerra do ultramar. muitos voltaram na caixa de pinho. e elas nunca casaram. conheci algumas. enquanto eles estavam na guerra, quase três anos de tropa, elas vestiam uma roupa escura, cinzenta. não saíam a passear. não podiam falar com os rapazes da idade delas. ficariam muito mal vistas. a família do namorado encarregava-se da vigilância. casacos, aventais e saias de chita, tudo escuro e cinzento. lenço na cabeça, em rebuço e «caluda», não dês muito nas vistas. era um país mesmo cinzento, esse da minha meninice. felizmente apanhei o 25 de abril. a revolução devolveu a cor e o sorriso a portugal. a partir daí foi um tempo de furta-cores, ou arco-íris. as pessoas tornaram-se mais felizes. não podemos deixar agora que uns troca cores estraguem tudo.
25 março 2010
resposta da associação griot ao poema primavera com poesia
Rosalina
Em continuidade ao seu poema e porque tb foi uma honra para nós,
aqui fica a nossa contribuição para complementar o seu poema;
como pombos abraçamos
braviamente a partilha
Como rodopios traçamos
a alegria da maravilha
Se num arco-íris seduzimos
mais de mil cores reunimos
e somos um,
abraço quente,
primavera luminosa
ou partilha esperançosa
Beijinho
Griot
obrigado
à
obrigado
à
Anaína Lourenço
Daniel Martinho
Miguel Sermão
Matamba Joaquim
Ângelo Torres
Daniel Martinho
Miguel Sermão
Matamba Joaquim
Ângelo Torres
22 março 2010
21 março 2010
21 março dia mundial da poesia
VIVA A POESIA
Saúdo todos os Poetas de Portugal e Mundiais, todos os Poetas da Lusofonia,e meus colegas Universais da PAZ, os "Poetas del Mundo" aqui deixo o convite para que neste 21 de Março Dia Mundial da Poesia os Poetas de Portugal adiram a Poetas del Mundo sediado no Chile, com o site do mesmo nome
Marília Gonçalves
20 março 2010
18 março 2010
a luta de classes na grécia

os governantes de portugal arrastam o nosso país para a mesma senda que os da grécia. será que teremos a capacidade de resistir como estão a resistir as massas na grécia? será que este trocas-te vai continuar a governar para si e os seus amigos e a levar o país cada vez mais para baixo? é mais uma lição histórica e um grande exemplo de resistência que a grécia está a dar à europa e ao mundo. temos de acompanhar o desenvolvimento da luta de classes na grécia através de informação externa, já que os nossos media quase ignoram o assunto. estão quase todos muito bem caladinhos... porque será?
“Na quinta-feira 11 de Março, as ruas em 68 cidades e vilas foram rios caudalosos, com a determinação de trabalhadores, jovens, mulheres e pensionistas demonstrada pelo PAME.
Foi a quarta greve em um período de um mês, que ficou marcada pela participação do povo em massa e pela sua dinâmica.
Dezenas de milhares de pessoas protestaram contra os cortes graves e as medidas fiscais que foram iniciadas pelo grande capital e votadas pelo governo social-democrata do PASOK, junto com o LAOS, nacionalista, e também apoiados pelos liberais da ND e pela Federação Helénica de Empresas.
As classes assalariadas, orientando as suas forças, travaram mais uma dura batalha contra a intimidação lançada pelos patrões e seus agentes, o que enriqueceu a experiência militante do povo trabalhador. Muitas pessoas conseguiram superar as suas hesitações e entraram em greve pela primeira vez.
http://jdei.wordpress.com/2010/03/16/saudacao-fraternal-aos-camaradas-gregos/
16 março 2010
dia mundial da poesia
depois deste fim de semana de férias na suiça - onde fizemos uma colheita de saudades e logo lançámos a semente das próximas e como diz marília gonçalves as saudades não se matam porque logo outras nascem - de regresso ao trabalho e ao blog, agora é tempo de dar tudo para o dia mundial da poesia. para que filipe chinita e manuel gusmão tenham um dia da poesia digno da sua cantata, no barreiro. todas e todos são bem vindos se vierem por bem, e trouxerem outro amigo também! como cantou o poeta zeca afonso.
09 março 2010
o fim de semana... que passou
lindo! assim está o alentejo muito verdinho, como escreveu camões e cantou zeca afonso. os campos rebinchando de água. é só regatinhos e ribeiras, tudo a correr, em fugas pequeninas, rápidas. águas clárinhas (uma outra entoação de cristalinas). o guerreiro almansor, rio rei maior de montemor, a transbordar. sempre mais largas as margens da constante mutação. ano de todas as águas. tanta chuva! até a estrada se torna perigosa. no mercado de évora já quase ninguém. o homem da água-mel já tinha tudo arrecadado, mas lá vendeu uma garrafinha. rábanos para comer com pão e azeitonas. com uma açorda é indispensável. tôrtas e popias. queijinhos do cano, oriola e até um de serpa de nome almocreva(!). no caminho o xarrama, ainda junto à nascente já leva tudo à frente. toma caminho na senhora dos aflitos e segue solitário até se encontrar com o sado. a barragem do divor quase cheia.será desta!? à beira da estrada a primavera faz sorrisos em caternotas e pátinhas amarelas, entremeadas de saramagos brancos, mais umas cor-de-rosa, as cadeirinhas. ainda não há lírios por aqui. felizmente não havia água em casa. os telhados portaram-se bem. nem uma goteira. enquanto o almoço é preparado faz-se o lume, que a casa está fria. o quintal começa a ficar bonito. os bolbos nasceram todos. há muitos botões. aos primeiros raios de sol vão abrir em perfumes, goivos, jarros, jacintos, cravos. as leiras de coentros e espinafres aguentaram-se, não houve muitas geadas. espigos de couve com fartura. as roseiras, podadas em janeiro, rebentam com força. já o lume crepita e o cheiro do caldo de peixe com poejos inunda toda a casa. estava uma maravilha! especialidades do cozinheiro da casa.
08 março 2010
oito de março dia internacional da mulher
poema de António José da Costa
Este dia que é de luta
Por mim sentida a valer,
Não é de quem a refuta
Evive em grande disputa
No tudo p'ra si querer
É teu óh Mulher querida
Que lutas no dia a dia
Para transformar a vida
Que é bastante enegrecida
Neste mar de hipocrisia
P'ra melhor compreensão
De quem a Esquerda
rejeita
E vive na podridão
Da profunda negação
Mas vota, sempre, Direita
Digo: a História não se faz
Com quem está por estar aqui,
Mas sim por quem é capaz
Naquilo que lhe compraz,
Dar o melhor de si
hoje à noite no AMAC
apresentação do livro de lina sores Sob o Olhar da Deusa, no amac às 21h,
integrado no programa dia internacional da mulher - 8 de março - com o apoio da câmara municipal do barreiro.
«Neste livro, a metáfora é usada com mestria, evidencia saberes antigos das teogonias egípcias, faz incursões pelos livros sagrados de tradição judaico-cristã, mistura o profano com o sagrado religando-o no seu sentido mais lacto e, sendo uma Mulher da área das ciências sociais e humanas, os contos retratam o seu conhecimento mas também a sua práxis de viagens, um saber de experiência feito.» in Prefácio, Ana Pires da Silva (Doutora em Antropologia Social)
«Lina Soares surge-nos aqui numa escrita das águas, de rios e de mar. Um outro lado do feminino.
"A Deusa manifesta-se em cada mulher, nas três faces, a Virgem, a Mâe e a Sábia." Mas podem ser muitas mais, como o demonstram as suas nove estórias sobre mulheres. Ou sobre a mulher.» in Posfácio, Rosalina Carmona (Investigadora de História Local)
03 março 2010
terra
cavar
a terra
penetrá-la fundo
com a enxada
extensão de mim
senti-la húmida
macia
pela chuva
da madrugada
cavar
corpo a dobrar
esforço
movimento
cadenciado
acima
abaixo
corpo cansado
sinto-o no arquejar
da terra
em mim
não posso parar
a vontade
pede
continuar
até ao fim
e ei-la
enfim
escura
branda
ventre
pele fina
fecundada
guarda a semente
que germina
na espera
da primavera
25 fevereiro 2010
farrusco
este cão
não tem a certeza
dos sentimentos
que sente
se são humanos
ou não
ele pensa
que é gente
e que o que sente
é solidão
e chora
de dia
noite afora
como
se humano fora
eu dou-lhe pão
não lhe posso chegar
com a mão
e isso rasga-me
a alma
e o coração
se eu pudesse
fazia-lhe festas
matava-lhe a fome
de afagos
a míngua de afectos
22 fevereiro 2010
dona de casa (quase) perfeita
ontem fui uma dona de casa quase perfeita. levantei-me, preparei o pequeno almoço, torradas, café com leite, sumo de laranjas. a seguir fui fazer um bolo. de água mel. e gastei boa parte da manhã. (uma receita antiga, como eu se calhar!) depois disto fiz o almoço. pescadinha cozida, com legumes e um ovo e boas azeitonas alentejanas. a seguir, com mil cuidados porque a cara metade está doentinho e é preciso andar devagarinho, tive de agarrar no carro e conduzir. fomos levar um bocadinho de sol à família. mais tarde fomos às compras. já estava tudo esgotado nas despensa. mas eu é que já começava a ficar esgotada. conduzir outra vez. arrancadas, sacudidelas... no carro! e reprimendas. enfim, chegámos a casa. o jantar é que já não tive coragem. não se pode dizer que não fui uma dona de casa, quase, exemplar. mas como a perfeição não existe…
20 fevereiro 2010
manhãs de brinca
mal o sol se erguia era sair da cama, a correr. a brinca não podia esperar. manhãs frias só aquecidas à esquina do zé mulato. as faces vermelho escurinho, como o pão de côdea crestada, os lábios sulcados pelo cieiro. à espera que aquele tiçanito saísse de trás das nuvens, para aquecer as mãos. entretanto chegavam as mães, com as mantas, para apanhar o sol. cadeiras de buinho, em fila, as mantas estendidas em cima, para expulsar as pulgas. os meninos e meninas, sentados ao colo das mães. as mãos das mães porfiando entre os cabelos, catando os piolhos. depois começava a brinca. ao 31 da pedra. as meninas todas sentadas em carreira, encostadas à parede, as pernas esticadas à frente. começava a lengalenga: 1, 2, 3, os cavalos a correr, as meninas a aprender, qual será a mais bonita, faz favor de arrecolher. oralidade cantante e sempre presente. e prosseguia até à última menina de perna esticada. deveria então ficar de olhos fechados e contar até 31, em voz alta e sempre a bater numa pedra grande, com outra mais pequena. entretanto fugiam todas, a esconder-se. depois era a procura, em todas as ruas, atrás dos quintais, nos currais, até encontrar alguma que a substituísse. outras brincas, em dias de chuva, mas a alegria era a mesma, eram o salto à corda. fazia-se o sorteio para ver quem começava, com a lengalenga do costume: sol e chovendo, as bruxas ao sol, comendo pão mole e agente que se amole ou, depois de um grande aguaceiro, quando o arco-íris iluminava o céu: arco da velha, quem te inventou, foi uma velha que por aqui passou, no tempo da eira fazia poeira, puxa lagarto por esta orelha. e a orelha era puxada a preceito, como convinha. e começava o salto à corda.
18 fevereiro 2010
a terra devia ser de quem a trabalha
foi há 35 anos o início da reforma agrária. talvez a transformação revolucionária mais profunda de abril. primeira conferência dos trabalhadores agrícolas do sul. o avanço para as terras incultas. cumprindo-se um sonho antigo de séculos. inesperadamente real. a terra foi, por pouco tempo, de quem a trabalha. a terra devia ser sempre de quem a trabalha. se assim fosse o alentejo não teria donos, hoje. como deixou de ter há 35 anos. hoje o alentejo está igual ao que era antes da reforma agrária. quase todos tinham de lá fugido, daquelas terras amadas, ou malsoadas, que não davam trabalho nem pão. uns fugiram para um subúrbio, outros fugiram para uma frança qualquer. quem fará a nova reforma agrária que o alentejo tanto precisa. inexplicavelmente, ou não, a utopia resiste. não morreu. está viva nos corações que porfiam na luta contra a mentira, a injustiça, a miséria, a exploração. está viva nos rostos talhados na alegria do reencontro de hoje, em montemor-o-novo. de reencontros próximos. viva a reforma agrária!
16 fevereiro 2010
parabéns à freguesia do barreiro
Da povoação saíam azinhagas e caminhos rurais, que conduziam a terras de cultivo e aos baldios do concelho. A propriedade encontrava-se estruturada em pequenas courelas, onde predominavam os vinhedos, notando-se a ausência de grandes casas fundiárias. As fainas do mar - pesca e exploração de sal - assinalam-se desde a Baixa Idade Média, mas assumem maior relevância, a partir do século XV a moagem, a construção naval e os mesteres gerados pela Expansão marítima. De longe chegam vozes, que rasgam o silêncio do tempo. São documentos que nos contam histórias. Porque este é, também, um livro sobre as gentes do Barreiro.»
14 fevereiro 2010
histórias de paixão. a propósito do dia dos namorados
há dias tive de almoçar num lugar muito conhecido do barreiro, que agora não me apetece dizer o nome. depois de escolher o meu prato sentei-me ao acaso, perto de um casal que já estava a almoçar. eram pessoas da minha idade, pouco mais ou menos. ela um pouco mais nova que ele, ou aparentava. talvez pelas roupas que vestia, o cabelo pintado, uma certa frescura. ele muito formal (acho que tinha cara de médico) camisa branca, gravata e sobretudo escuros. o cabelo grisalho dava-lhe um ar de al pacino, no filme “Perfume de Mulher”. poderão dizer que nessa altura o al pacino ainda não era grisalho, mas isso é um pormenor que não interessa nada. enquanto debicava o meu quiche de legumes e engulia a sopa reparei na forma como se olhavam. de vez em quando ele dizia qualquer coisa, eu não conseguia ouvir - falavam baixinho e por causa do barulho … e além disso não podia pôr-me à escuta, tinha de disfarçar a curiosidade. – ela olhava-o de uma forma muito especial, que só ele saberia porquê. qualquer pessoa como eu, que olhava de fora, diria que havia ali grande paixão. ele dava-lhe pequenos toques cúmplices no braço, como que a desafiá-la para qualquer coisa que, ali, naquele sítio não teria lugar. de repente ficou um pouco mais de silêncio e consegui ouvir “não ponhas tanto azeite, é demais! eu ponho o azeite que eu quiser, e tú põe mas é azeite no bacalhau, que está muito seco”. e foi isto que eu consegui ouvir!!! eles falavam de azeite! depois ele agarrou no copo de vinho dela e bebeu-o, quase todo. em seguida ela bebeu o resto. levantaram-se e saíram. eu ainda fiquei, de volta do meu quiche.
12 fevereiro 2010
polvo
misérias e vergonhas de um país triste
ó menina (era eu, não havia mais ninguém na paragem do autocarro), pode dizer-me a que horas é o autocarro para santo antónio, não percebo nada dessas letras. pois, são muito pequenas, sem óculos... eu vejo bem, estas letras é que... não percebo. eu é que não percebi logo. só depois quando a outra chegou, então a família, os filhos. estão bons, lá longe. é verdade na alemanha. como o meu. há 30 anos que lá está. netos e tudo. uns vão para a alemanha outros para a suiça, meti a colher. pois. o que vale é falarmos todos os dias, agora com a internet... nós também já temos isso lá em casa, dizia a segunda. nós não. só pelo telefone. ou por carta. mas o meu marido tem sempre preguiça de escrever. então percebi porque não percebia as letras. pouco mais velha que eu (menina!). não andou na escola. percebi a vergonha daquela mãe e avó. a sua pronúncia ratinha. teve de ir trabalhar em vez de ir à escola. eu pelo menos fiz a 4ª, em menina. a minha mãe também nunca aprendeu a ler. o meu pai andou até à 2ª classe. depois a mãe dele morreu, com a pulmónica diziam e o pai, para esquecer a tristeza de uma casa cheia de filhos e de fome, "dedicou-se à bebida". o meu pai, filho mais velho de 5 irmãos, teve de ir trabalhar para o campo, 8, 9? anos, para ajudar a criar os irmãos. a escola só foi retomada depois, na tropa. por isso, talvez, nunca deixou que os filhos, ao menos saissem da escola sem a 4ª. algumas amigas minhas nunca chegaram a completar, sequer aquele nível básico de ensino. isto em meados de 60. parece que foi há muitos anos e afinal, não há assim tantos. compreendi a vergonha de não conhecer as letras, neste país triste, de que nos fala manuela fonseca http://www.rostos.pt/inicio2.asp?cronica=220271&mostra=2. país onde se disfarça a miséria mas a vergonha é cada vez maior. país a precisar urgentemente de esperança. de uma nova revolução, que nos faça sorrir e de novo encontrar um caminho como povo.
10 fevereiro 2010
memória do Alentejo quando menino
poema inédito de filipe chinita
.
na cidade grande
o homem
é muito mais bicho
que o habitante
da planície
longa
além
Tejo
.
os homens
enrolam mortalhas
passam-lhes
a língua
lábios
saliva
na modorra
em que o sol
queima
e o tempo
é igual
.
são
por vezes
lentos
os
desafios
quase
o homem esquece
ser ele
o
centro
.
a
difícil
sabedoria
da
espera
.
há
o
silêncio
o
grito
grande
grande
que é
o
da planície
.
canto
apenas
o
das cigarras
na
toalha
de
calmeira
que
desembainha
sombra
no
beiral
das casas
brancas
.
fresquidão
interior
cântaros
de
barro
húmido
cocho
frescas
águas
de
fonte
.
a
sede
sequiosa
de
um
mundo
outro
.
o cocho d’água
sobrante
sobre
a
tijoleira
porosa
(que
tudo
absorve)
cor
de sangue
ou
bandeira
.
os homens
do Alentejo
costumam
um canto
uníssono
não
monótono
consonância
vária
desdobrada
que
das vozes
saí
.
da
bolota
pão
da
foice
objecto
de
espinha
cerviz
o
gesto
curvo
da
libertação
.
quem
não é
não pode
saber
da rua
quase única
que atravessa
a
aldeia
do
cair lento
das
noites
onde
as
gentes
sentam
o
verão
o
passeio
que
corre
o
vozear
.
cigarreio
de
ardores
luminescências
mancha
que diria
uma pincelada
de
igual
não
soubera
os
contratados
nome
a
nome
cara
a
cara
máscaras
pano
e
barro
ruivo
e
negro
.
é
no passeio
da rua
principal
quase única
que
sentam
no
diante
das
tascas
as
mulheres
(em)
cadeiras
de
buinho
amuradas
entre
portais
esperam
nocturnamente
.
a
branda
aragem
o
negro véu
quieto
estrelado
que
esquece
a
calorada
e
profetiza
o
amanhã
.
há
a tal fonte
chafariz
das
quatro
bicas
centro
da
aldeia
é
o
largo
da
igreja
vaga
07 fevereiro 2010
EMERGÊNCIA DEMOCRÁTICA NACIONAL. SIM!
S.O.S
“ Resposta urgente ao comentário preocupado da leitora Azinheira e aos demais que vivem a mesma grande e perturbadora ansiedade, a cujo grupo pertence este obscuro cidadão que vos escreve, mas que sendo um militar de Abril por dever moral, calar não se pode e, mais, NÃO DEVE. Dever que obriga a todos os portugueses democratas e, de um modo particular, aos não vencidos ou convencidos militares de Abril, pela plutocracia”
Sim os bons Portugueses dormem, mas sobre esse descansado dormir, a democracia morre ferida de mil ataques, jogadas e misérias mais próprias de um regime dos confins africanos, com vivências à lá mugabe, em termos de uma vergonhosa corrupção económica, politica e moral que nem os tribunais, nem a opinião publica, nem o parlamento julgam.
Parece, sente-se uma fria e terrível sensação de tudo estar saque, e que o aviltamento das almas, sobretudo a do Povo, não pode ser mais trágico. O que aconteceu a este Portugal?
Sim. O que nos aconteceu?
O momento que atravessamos é de uma gravidade extrema a DEMOCRACIA MORRE a machadadas vis com muitas e graves cumplicidades, a maior e mais grave, a da ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA, em que, como corajosamente denuncia Cravinho, os lideres parlamentares parecem assobiarpara o lado nestas horas trágicas que podem acabar muito, muito mal, com o regresso da direita ao poder, muito reforçada pela extrema-direita, pela via eleitoral, por ora, se isso chegar.
Sobre os últimos desenvolvimentos políticos: a negociação do orçamento geral do Estado, as transferências financeiras para a Madeira, ( minha querida terra, sem governo democrático) o caso de Mário Crespo e, mais grave, o envolvendo a compra da TVI, Correio da Manhã e Público, podendo envolver altos dignitários da Governança, só mesmo a completa alienação das coisas da res -publica não obriga a uma clara, pronta e urgente intervenção da Assembleia da Republica, para indagar a verdade sobre todo o esquema que um procurador da Republica e um juiz referem existir nestes casos para tentar alterar o sentido do voto dos portugueses.
Facto que se real, poderia mesmo alterar a configuração legitima e democrática do poder, instituindo, em última instância, uma ditadura da maioria contra a vontade genuína dos eleitores que só se pode exprimir em eleições intrinsecamente livres e democráticas, o que, já mesmo em circunstâncias normais não acontece completamente, mas tanto pior, quando planeadamente se adulteram os mecanismos de formação da opinião
Neste âmbito também cabe e deve:
» O governo analisar e questionar sobre a verdade da existência ou não daquele denunciado esquema, para a tomada viciada do poder pela via eleitoral;
» Ao Sr. Presidente da República questionar o Sr. Procurador Geral da República, sobre os fundamentos da sua decisão de não investigar os indícios, que parece muito prejudicada face aos despachos revelados e às notícias sobre a rede tentacular denunciada na comunicação social para obter os objectivos referidos nos despachos. Rede que tal como é apresentada é coerente com os objectivos pretendidos, ou seja, condicionar gravemente o resultado eleitoral, o que, de acordo com esquema denunciado só não aconteceu por haver liberdade de expressão e uma imprensa não completamente controlada, o que, se procurava eliminar;
» A todos os portugueses exigirem aos vários órgãos constitucionais que ajam, e à Assembleia da República que garanta a legalidade democrática.
Numa palavra é preciso tudo fazer, para que não se perca a essência moral da democracia e da Republica, baseada no comportamento ético dos representantes do povo e no funcionamento legal das várias instituições, e no procedimento de igual modo para todos os cidadãos, como só pode ser o caso, dos tribunais e da justiça.
Se tudo isto ruir: a dignidade dos agentes políticos, a verdade das eleições, o comportamento honesto, a justiça social, a liberdade de expressão, deixa de haver democracia, há somente um simulacro que mais cedo, do que tarde, aproveitará a um qualquer ditador totalitário.
Como militar de Abril independente, somente ligado aos compromissos sagrados e intocáveis do Movimento das Forças Armadas, que se mantêm vivos, e para cujo sucesso contribuí desde sempre. Desde 1972 que denunciava em carta dirigida a um meu camarada a necessidade de nos levantarmos contra o regime podre, não posso calar a minha angústia e revolta, por ver tanto pântano, em que nos afogamos, e, por isto, aqui, ladro, mas quem me ouve?
Poucos, porque, como convém, dirão, o que pode este obscuro cidadão? Nada, mas como cidadão faz o que pode, e faz, assim, o que deve. Dever extensivo a todos os democratas, aos partidos, nomeada e particularmente ao PS que não se pode reduzir à voz troante e incómoda do Sr. Lelo, e ainda de uma forma particularíssima aos MLITARES DE ABRIL NÃO VENCIDOS OU, PIOR, CONVENCIDOS PELA PLUTOCRACIA.
7 Fev. 10. Um momento grave da DEMOCRACIA Fundada em 25 de Abril 1974
andrade da silva
este texto pode ser lido no blog http://liberdadeecidadania.blogspot.com/
esquinas da vida
quando dobrei a minha esquina…
frase solta que ouvi na manhã. ficou-me a bater. todo o dia. pensei que esquina seria aquela. que esquinas seriam as minhas.
pensei em esquinas no barreiro. esquinas onde em manhãs frias e nevoentas, pessoas, muitas pessoas, dobravam esquinas. a caminho do trabalho.
pensei nos encontros e desencontros das esquinas. camaradas de secção que se esperam à esquina. amantes furtivos que se espreitam à esquina.
crianças que correm ao dobrar da esquina.
noite escura, mãos que trocam panfletos clandestinos, à esquina.
esquina honesta em ângulo recto, noventa graus.
domingo soalheiro à esquina. esquina dos amigos, galhofeira.
esquina de namorar e enamorar.
esquina de escárnio e dizer mal.
esquina da miséria, sífilis e tuberculose.
esquina da denúncia e da traição.
esquina esquinada da vida, afiada como faca.
esquinas do passado.
essas já as dobrámos.
as que me assustam são as do futuro. esquinas negras como a treva.
que não queremos que regressem.
e que nos ameaçam.
05 fevereiro 2010
estribilhos da malta, bocas e frases soltas
as palavras andam no ar. saltam da boca. como os sorrisos. então estás cá!? estou sempre! (às vezes em pensamento) toca a despachar! que são horas. e não te descalces que vais ao petróleo! frases que ninguém sabe como e quando começaram. andam por aí. lá vamos nós, a gracinda, a paula, a rosa. agora chega a licélia com a filha. a anabela, a inês, a teresa, enfim o autocarro cheio arranca. organizem-se! outra. ó eeelllssssaaa! e ela responde lá à frente: acendam a televisão! gargalhada. a malta está bem disposta. como a tarde, de sol. o autocarro já lá vai. do rádio soltam-se sons de um fado antigo, fernando farinha(!!!) fado de um operário. bela voz de fadista barreirense, mas neste ambiente não soa bem. ai meu canário! e esta? é nova. sobre a 25 de Abril (sempre!) lisboa. cada vez mais bela. a seda do tejo, azul e transparente a rasgar-se em espuma, rasto de barco do barreiro. no marquês nota-se já o movimento. a liberdade, em avenida cheia de sol, promete. bandeiras vermelhas e brancas da função pública. o autocarro parou. agora vai tudo à casa de banho. a fila já chega quase à rua. a dos homens vazia! não pode. e chegam eles e vão para a fila, mas desistem logo. azar. da rua chegam acordes “e se todo o mundo é composto de mudança, troquemos-lhes as voltas, que i’nda o dia é uma criança”. na rua já está tudo a postos. o megafone ó miguel! ó miguel! bocas trazes o moscatel? ó miguel! olha pra trás que é contigo! e era mesmo. o paulo de carvalho tu vieste em flor e eu te desfolhei… e a lala e a malta de mora. e o zeca quando um homem se põe a pensar…autocarros de avis e de palmela. o hino da intersindical unidade, unidade, unidade, do trabalho contra o capital. pelos restauradores abaixo alguém me chama. e era a maria bárbara e a maria teresa, de pias pois. abraços e adeus que nã posso perder a malta do barreiro. mentiroso! mentiroso! a cantiga enche a praça. petição “pela saída imediata das tropas portuguesas do afeganistão” é um panfleto. direitos conquistados não são para ser roubados. o país não se endireita com políticos de direita. o terreiro em frente aos barcos do barreiro está lhano. as bandeiras esvoaçam com a brisa que sopra do tejo. injustiças sociais, arre porra que é demais. foi uma boa manifestação. os funcionários públicos merecem respeito. o socrates é um burro, foda-se, caralho. dizia um do porto.
04 fevereiro 2010
o turno das 7
como se fossemos entrar no turno das 7. atravessámos a antiga cuf e à minha frente começam a surgir centenas, milhares de operários, mulheres e homens, a caminho de casa, olhos pisados depois de uma noite inteira de trabalho, cruzando-se com os matinais companheiros que os vão substituir. caldeireiros, chumbeiros, frezadores, lubrificadores, serralheiros, mecânicos, soldadores, torneiros mecâncicos, especialistas químicos, analistas, afinadores, bobinadores, caneleiras, cardadoras, costureiras, estampadores, fiandeiras, ramiladores, tecedeiras, urdidoras. quantos mais… tudo a caminho do trabalho, na urgência do ganha pão. vão enchendo as ruas, que fervilham como sangue quente nas veias. uns de bicicleta, outros a pé e havia também quem chegasse de autocarro, de comboio e de barco. a buzina a chamar para o turno e a fábrica sempre a arfar, 24 horas por dia. ainda era assim na década de 80 quando cá cheguei. mas avista-se já o bairro das palmeiras e a visão desvanece-se. para trás fica o antigo bairro operário, vazio e deserto. não há luzes nas janelas, as portas estão fechadas, não há pessoas nas casas. as fábricas calaram-se. é o silêncio que povoa as ruas e incomoda.
03 fevereiro 2010
resposta de um capitão de abril Andrade da Silva
Cara Amiga
Obrigado. Andei por muitas terras, naturalmente estive perto de si, mas o problema das terras era comum a Pias e a outros lugares, mas o que me deu água pela barba foram os problemas dos lagares.
Amei Pias, como todo a Alentejo, as pessoas mexiam-se e as coisas aconteciam. Construia-se o Futuro e da minha parte nunca ao de leve passou qualquer divisão de partidos, para mim era a aliança pura do Movimento das Forças Armadas e o Povo, era a justiça em marcha, era a construção do Futuro, nunca pratiquei violência contra ninguém, mas nunca aceitei que alguém se pudesse deitar sem pão, só porque o lagar não funcionava, ou a terra não produzia, isto, nunca devia ter acontecido, e, então, depois de Abril era impensável e nunca comigo isso poderia ser tolerável.
Honro-me de ter evitado a violência, mas ter ajudado a crescer a alegria, e a fazer com que se pagasse milhares de contos em salários em atraso. Todos os latifundiários denunciados por essa prática cobarde, depois de muita resistência lá arranjaram os trocos para pagarem
Ao povo de Pias um grande abraço e para si.
01 fevereiro 2010
carta a um capitão de Abril
estimado capitão
Andrade da Silva
essas Pias que tão bem recorda e fala https://www.blogger.com/comment.g?blogID=4042488865759147347&postID=2782610039332118942 e aonde ainda é recordado por alguns, são as “minhas”. e as de Francisca, como disse o nosso amigo Carlos Domingos poeta do mundo, que tal como ela Francisca, foi um militante clandestino contra o fascismo de então e o de agora. essas Pias pertencem ao concelho de Serpa, mas já pertenceram ao de Moura antigamente. por isso aquela moda, natural de Pias: lá vai serpa, lá vai moura, e as pias ficam no meio, em chegando à minha terra, não há que ter “arreceio”. isto em boa pronúncia pieira, que é como deve ser cantado. pois eu recordo-me bem, quando o capitão, então alferes, Andrade da Silva lá andou. se não estou em erro, até esteve na ocupação da herdade da ínsua, perto da herdade do alvarrão. a ínsua fica na margem esquerda do Guadiana, já para os lados de Moura. eu também lá estava nesse dia, trabalhando. recordo-me de quando nos reunimos todos, sob a copa da azinheira, onde todos os dias descansávamos ao almoço. os militares, então muitos bonitos nas suas fardas, que já não representavam tristeza, barba escura e cerrada, negros e compridos os cabelos. soldados de arma ao ombro e revolução em riste! imagem mítica de guerrilheiros da Sierra Maestra, transposta para o Alentejo, vermelho de esperança. a esperança estava em todos os olhares e rostos e peitos e corações. e saía para o ar provocando explosões, de alegria. eu, rapariga nova (não o são todas as raparigas?) 16 anos! assistia a tudo, um pouco afastada, tal como as minhas companheiras, que ali estávamos todas juntas, separadas dos homens como era o hábito. não porque não quiséssemos estar lá junto deles, a ouvir todas as palavras e a guardá-las em nós. mas é que os homens, tão revolucionários eram e não nos queriam lá, perto deles. não nos deixavam chegar a certos sítios que julgam só deles, ainda hoje. mas nós é que já não somos raparigas novas, já nos passaram pela pele 35 anos. já não estamos para isso, apesar das tentativas que ainda hoje alguns fazem. são pequenas revoluções que temos de travar, todos os dias. mas essa seria outra conversa e não é chamada agora para aqui. pois eu e as minhas camaradas não ouvíamos todas as palavras. chegavam-nos algumas: revolução, exploração, a terra a quem a trabalha, viva a reforma agrária. mas no final ouvimos distintamente: viva o 25 de Abril! e todos e todas respondemos unissonamente: o povo unido jamais será vencido! esta é uma recordação, que eu não sei se é também do capitão, apesar de ser alferes então, se realmente lá esteve nesse dia ou não, mas ficou para sempre, guardada em meu coração.
25 de Abril sempre! fascismo é que nunca mais!
31 janeiro 2010
29 janeiro 2010
vida
a vida. não sabemos o que é. de onde veio. como chegou. mas sabemos o que é a morte, não porque a sintamos no nosso corpo, porque quando tomar conta dele já nós não estaremos lá. conhecemo-la pela dor que nos provoca, quando nos leva alguém que fez parte de nós. pode ser um ser humano ou animal, que vem a dar no mesmo. há seres humanos que são animais, no sentido em que os consideramos irracionais, pela ausência de sentimentos humanos e há animais com sentimentos tão humanos que chegamos a duvidar que não sejam da nossa espécie. a vida, há uma altura em que deixa de fazer sentido. é quando o sofrimento provocado pela doença se torna tão insuportável, tanto para quem o sente no seu corpo, como para quem assiste a ele que, aí, é que uma parte de nós pensa que a vida já não é vida. e então devia haver um mecanismo que se desligasse, automaticamente, para nos poupar. mas não, não existe. e a vida continua a ser vida, o sol nasce todos os dias e todas as noites há estrelas no céu, mesmo quando não as vemos.
27 janeiro 2010
mais 17 mil americanos vão para o Haiti. fazer o quê?
foi a notícia que ouvi. estão mais 17 mil!!! americanos preparados, com toda a parafernália de guerra que lhe é useira, para seguir para o haiti, além dos tantos que já lá estão. mas o que é que vai acontecer no haiti, além do que já aconteceu? estará o haiti entre os países "perigosos"? será o haiti um perigo terrorista para a segurança dos usa? não é essa a justificação para todas as invasões, guerras e violências, com que os usa pretendem calar as vozes que ousam protestar contra o seu poderio? será o medo de uns singelos "che's" pintados nas paredes, ou nos bonés dos sobreviventes? o que pode legitimar tamanha sanha de ocupação/invasão? ou será apenas uma ilha, pequena, corpo de jacaré, resistente e revolucionária desde que eu nasci? porque é que não se fala disto? em portugal, ou no mundo? porquê um silêncio tal? que encobre este império de mal?
http://octopedia.blogspot.com/2010/01/ocupacao-americana-do-haiti
http://octopedia.blogspot.com/2010/01/ocupacao-americana-do-haiti
25 janeiro 2010
gripe a, b, ou sei lá... ou c
pois estou retida! em minha própria casa. cativa de uma gripe que nem sei qual é, não me mandaram fazer análises. deve ser para poupar, gastaram o dinheiro todo nas vacinas e agora não chega para o resto. como a médica não tinha a certeza, não faz mal! fica em casa na mesma! 7 dias. no primeiro dia ainda andei mascarada, literalmente, mas agora resolvi que ainda é cedo para o entrudo. "tem de se isolar! não pode contactar com ninguém!" e o marido? vai dormir fora de casa? ele se calhar, até nem se importava. agora já podes fazer uma ode!!! á gripe a, dizia a filha. uma grande mascarada! isto da gripe a!
os jornalistas e o haiti
ontem estava a ver as notícias sobre o Haiti, mas como já não posso ouvir, vezes sem conta, as mesmas coisas tinha a televisão na opção muda. quando liguei o som estava uma jornalista da rtp1, rosário não sei quantas, a dizer que o povo haitiano tinha sido atingido, nos últimos anos, por muitas catástrofes, revoluções e outras tragédias. perguntei-me se uma revolução será uma tragédia para um povo. e cheguei à conclusão que não. se um povo faz uma revolução é porque a deseja e portanto um povo não deseja uma tragédia para si. quando um povo faz uma revolução é uma festa, para esse povo. admito que possa ser uma tragédia para alguns, os tiranos, os que são apeados do poder, mas nunca para a grande maioria do povo que fez a revolução. por vezes, infelizmente muitas, certos jornalistas não parecem conhecer o real sentido das palavras que dizem, ou então têm o pensamento tão formatado para determinadas direcções que são incapazes de ver o que lhes está mesmo à frente. também não explicam porque tendo sido o Haiti um dos primeiros países da américa a fazer uma revolução de escravos, vitoriosa, logo no início do século XX é hoje "um estado falhado". não dizem que isso aconteceu porque desde então os USA ocupam o Haiti a seu belo prazer, e ainda mais depois da revolução cubana. a certos jornalistas, não lhe fará confusão, porque é que num país totalmente devastado, onde as pessoas continuam a não ter comida e água para sobreviver, cheguem milhares de marines americanos carregados de metralhadoras e do arsenal que já lhes conhecemos no irão e afeganistão? só falta que em vez de largarem sacos com comida larguem bombas, assim resolviam a questão de vez e davam escoamento àquilo que mais produzem: armas de guerra. cada vez detesto mais uma certa américa. e nem vejo onde está a diferença actual.
23 janeiro 2010
casa vazia
a casa está vazia
fria
a lareira apagada
inchada
de silêncio
as cadeiras junto às paredes
encostadas
oferecem memórias vagas
numa gaveta
alguns objectos usados
uma carteira
uns brincos
sóis de trazer nas orelhas
pendurados
ali
a pequena navalha
preto o cabo
sempre a trazia
consigo
cortava vida
aos pedacinhos
pão e chouriço
pequenos os copos de vinho
sobre os móveis
molduras
felizes os rostos
a sorrir
o pó do tempo
tudo começa a cobrir
agora
quando volto
a casa
lugar que me viu nascer
é sempre assim
ninguém me espera
não há braços
para me receber
só o silêncio
lembranças
um certo jeito
de olhar
finissima agulha
no peito
a espetar
20 janeiro 2010
Subscrever:
Mensagens (Atom)





































