cavar
a terra
penetrá-la fundo
com a enxada
extensão de mim
senti-la húmida
macia
pela chuva
da madrugada
cavar
corpo a dobrar
esforço
movimento
cadenciado
acima
abaixo
corpo cansado
sinto-o no arquejar
da terra
em mim
não posso parar
a vontade
pede
continuar
até ao fim
e ei-la
enfim
escura
branda
ventre
pele fina
fecundada
guarda a semente
que germina
na espera
da primavera
