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16 novembro 2012
12 novembro 2012
21 março 2012
23 novembro 2011
eu faço greve contra este fascismo disfarçado de crise
no dia 24 eu faço greve geral
contra os roubos dos salários e das pensões
faço greve contra a miséria,
o empobrecimento, o desemprego e o roubo dos direitos
faço greve pela minha geração
faço greve pela memória dos meus pais
faço greve pela minha filha e por tantos mais
jovens
forçados a deixar o seu, e o meu país
faço greve
para que não nos roubem o que abril nos deu
faço greve geral
pelo futuro de portugal
eu faço greve contra este fascismo
disfarçado de crise
22 outubro 2010
o relógio de santa cruz dá horas
o relógio de santa cruz dá horas
mas horas de quê
horas de dormir, horas de acordar, horas de sair de casa, apanhar o autocarro, sair do autocarro apanhar o barco, sair do barco apanhar o metro, sair do metro correr um pouco apanhar o elevador, entrar no escritório a horas de saudar os colegas e ligar o computador.
quando o relógio de santa cruz dá horas, no peito batem saudades. a certas horas tenho saudades de certos sorrisos, quando chegavas a certas horas. está quase na hora de te dar um abraço. são horas de te dizer,e mesmo que o não diga, gosto de ti a todas as horas.
batem horas no relógio de santa cruz e podem ser horas felizes, horas de sorte, horas de azar, horas mortas, horas de chegada, horas de partida. pode ter chegado a hora de alguém um pai, uma mãe, um irmão, um amigo, uma amiga.
às horas que toca o relógio de santa cruz apita a sirene das oficinas. são horas do almoço. horas de escutar o silêncio ensurdecedor quando se desligam os motores das locomotivas em afinação. horas de sair para a rua descer a escadaria, apanhar um pouco de sol, ler o comunicado do sindicato a apelar à greve geral.
o sino do relógio da torre da igreja de santa cruz diz que são horas de sair de casa, passar pelo mercado, passear pela avenida e na companhia da amiga atravessar o parque a caminho do rio, que lisboa já está à espera há horas.
antes do bater das horas no relógio de santa cruz já a fila à porta da segurança social engrossou e dobra a esquina, horas e horas de espera para ouvir a mesma resposta: não há ofertas de emprego, volte cá no dia x às tantas horas.
o relógio de santa cruz dá horas e há corvos negros a grasnar desespero, em cima dos telhados das casas, há horas. nessas horas em que o relógio de santa cruz bate no tempo escutam-se vozes, ou serão corvos a grasnar, o orçamento, a crise, a austeridade, a instabilidade.
agora o relógio de santa cruz está a dar horas, olho e parecem-me horas de esperança. vamos a ver o que isto dá.
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