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12 novembro 2012

o negro do protesto


de negro
o negro do protesto
contra este fascismo disfarçado de austeridade

greve geral 14 novembro 2012 portugal

23 novembro 2011

eu faço greve contra este fascismo disfarçado de crise





no dia 24 eu faço greve geral

contra os roubos dos salários e das pensões


faço greve contra a miséria,
o empobrecimento, o desemprego e o roubo dos direitos

faço greve pela minha geração

faço greve pela memória dos meus pais

faço greve pela minha filha e por tantos mais 
jovens
forçados a deixar o seu, e o meu país

faço greve

para que não nos roubem o que abril nos deu

faço greve geral

pelo futuro de portugal


eu faço greve contra este fascismo

disfarçado de crise







22 outubro 2010

o relógio de santa cruz dá horas



o relógio de santa cruz dá horas

mas horas de quê

horas de dormir, horas de acordar, horas de sair de casa, apanhar o autocarro, sair do autocarro apanhar o barco, sair do barco apanhar o metro, sair do metro correr um pouco apanhar o elevador, entrar no escritório a horas de saudar os colegas e ligar o computador.

quando o relógio de santa cruz dá horas, no peito batem saudades. a certas horas tenho saudades de certos sorrisos, quando chegavas a certas horas. está quase na hora de te dar um abraço. são horas de te dizer,e mesmo que o não diga, gosto de ti a todas as horas.


batem horas no relógio de santa cruz e podem ser horas felizes, horas de sorte, horas de azar, horas mortas, horas de chegada, horas de partida. pode ter chegado a hora de alguém um pai, uma mãe, um irmão, um amigo, uma amiga.


às horas que toca o relógio de santa cruz apita a sirene das oficinas. são horas do almoço. horas de escutar o silêncio ensurdecedor quando se desligam os motores das locomotivas em afinação. horas de sair para a rua descer a escadaria, apanhar um pouco de sol, ler o comunicado do sindicato a apelar à greve geral.

o sino do relógio da torre da igreja de santa cruz diz que são horas de sair de casa, passar pelo mercado, passear pela avenida e na companhia da amiga atravessar o parque a caminho do rio, que lisboa já está à espera há horas.

antes do bater das horas no relógio de santa cruz já a fila à porta da segurança social engrossou e dobra a esquina, horas e horas de espera para ouvir a mesma resposta: não há ofertas de emprego, volte cá no dia x às tantas horas.

o relógio de santa cruz dá horas e há corvos negros a grasnar desespero, em cima dos telhados das casas, há horas. nessas horas em que o relógio de santa cruz bate no tempo escutam-se vozes, ou serão corvos a grasnar, o orçamento, a crise, a austeridade, a instabilidade.

agora o relógio de santa cruz está a dar horas, olho e parecem-me horas de esperança. vamos a ver o que isto dá.