Mostrar mensagens com a etiqueta alqueva. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta alqueva. Mostrar todas as mensagens

08 novembro 2010

foi para isto que se construiu alqueva?

chocante exploração dos recursos, com vista à produção maciça de lucro
sem qualquer preocupação com o futuro



beleza e racionalidade do olival tradicional




o alentejo está a mudar
a paisagem que eu conheci está a desaparecer
rápida e dramaticamente
qualquer dia não conheço o lugar onde nasci

a planície, terra do pão, já não existe
ninguém cultiva hoje pão, no alentejo

as melhores terras da planície estão agora a ser transformadas em campos de produção de azeite
olivais de produção massiva e intensiva
olivais para produzir apenas por uma dúzia de anos
com árvores controladas para que não cresçam mais que até à altura das máquinas que vão apanhar o fruto
olivais hibridos
com oliveiras fabricadas em laboratórios
que produzem bagas redondinhas, em vez de azeitonas
bagas de oliva

bagas que são, várias vezes ao dia, regadas e pulverizadas para que cresçam e amadureçam rapidamente
é impressionante a quantidade de produtos químicos que são descarregados para os solos, todos os dias, a toda a hora para que não nasçam ervas e morram todos os insectos



entretanto o olival tradicional vai desaparecendo e a produção de cereais que lhe estava associada é quase residual e vai dando lugar a este fenómemo de produção intensissima cujo desfecho é previsível, quanto ao esgotamento dos solos

e ainda pior! é que toda a riqueza produzida não fica no país, porque os donos dos olivais não são portugueses
nem contribuem para o desenvolvimento local, porque empregam escassa mão de obra e destroem a nossa agricultura
além dos benefícios que ainda recebem, pois nem sequer a água da rega pagam durante dois anos

foi para isto que se construíu alqueva?
não creio

e os agricultores alentejanos? porque estão de braços cruzados?



aflige-me e choca-me ver aquilo em que o alentejo está a ser transformado

quando alguém acordar para este problema pode ser tarde demais

19 janeiro 2010

cotas máximas


desculpem a insistência no tema. é que como vi alqueva à cota máxima de 152, agora vejo cotas máximas em tudo. ele é a cota máxima da saudade (a saudade é de diverso tipo, cada um tem a sua e á sua medida). de vez em quando abre-se a comporta, descarrega-se um pouco e fica-se mais aliviado. mas ela volta logo a subir, é muito teimosa. enfim, essa coisa da saudade tem muito que se lhe diga. passemos à frente. ele é a cota máxima da tristeza, às vezes basta que um pisco mate a sede no lago e pronto! é o suficiente para que voltem os níveis de segurança. também há a cota máxima do sofrimento, essa é das mais perigosas, nunca sabemos bem se nos vamos afogar. e também é muito oportunista, quando menos se espera, pumba! além do mais tem várias caras, em bom português do PREC dir-se-ia uma vira casacas. aqui mostra uma face, ali mostra outra. uma autêntica cara de feijão frade. quem não souber o que isto significa que pergunte! se possível aos revolucionários a tempo inteiro, que muito sofreram com tais casos. também há a cota máxima do amor (do amor ou da amizade. não será a mesma escrita com caracteres diferentes?) ou não haverá esta?, o amor nunca é demais, então não deve ser fácil, ou será mesmo impossível que atinja os 152. portanto não é preciso descarregá-la e logo essa questão não se põe. adiante, que prá frente é que é o caminho. existe também a cota máxima da rotina, do quotidiano cinzento. vemos o perigo que constitui mas ás vezes o mecanismo falha, não faz a descarga e é a tragédia. por fim, há a cota máxima do desejo. quando atinge os tais 152, é sair da frente. é um tal dilúvio que não escapa nada. parece o leito de cheias do guadiana. e já chega de cotas! se outras houver cada qual que diga das suas. que as minhas já aí vão por esse rio abaixo.

15 janeiro 2010

alqueva na cota máxima


finalmente alqueva atingiu o máximo. é um espectáculo impressionante de ver, o duplo jacto projectando-se a grande altura e caindo no vasto leito do guadiana, em milhões de gotículas de fina poalha branca. é esse espectáculo que leva ali dezenas, ou centenas? de lisboetas-alentejanos, aos fins de semana, sempre dispostos a espantarem-se com a imensidão daquele lago, tão desejado e com tão pouca serventia. mas mesmo durante a semana a freguesia não falta. confirmei-o hoje mesmo quando lá passei, a caminho de pias. imagino o assombro que sentiriam os habitantes daquela cidade, da idade do bronze, no alto do cabeço fronteiro ao paredão (± 3000 anos, hoje conhecida como “castro dos ratinhos”) se pudessem olhar em seu redor e vissem tão assustadora visão. sobretudo se nos lembramos que tudo aquilo está construído em cima de uma falha geológica activa. mas o alentejo está mais belo que nunca, no seu manto de verde musgo e as chuvas deste ano, que levam alqueva à cota máxima engrossaram regatos e barranquinhos e vão fazer rebentar os poejos, os agriões e a hortelã da ribeira.