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19 abril 2013

viva o 25 de abril, sempre!



“o poder político que actualmente governa Portugal, configura um outro ciclo político que está contra o 25 de Abril, os seus ideais e os seus valores”.

“apelo da associação 25 de abril ao povo português e a todas as suas expressões organizadas para que se mobilizem e ajam, em unidade patriótica, para salvar Portugal, a liberdade, a democracia”.


07 outubro 2012

a república, a pátria



estremeci, os meus olhos marejaram, quando ouvi
aquelas duas mulheres
revoltando-se contra a iniquidade
resgatando o espírito da república
uma delas alentejana
como alentejana era aquela que inspirou o artista
que o primeiro busto esculpiu

valentes, corajosas
mulheres

sigamos o seu exemplo

revoltemo-nos

contra quem nos quer roubar a república
a pátria

hoje é a república, amanhã é o 25 de abril

viva a república!
viva o 25 de abril!

24 abril 2012

que fizemos ao sonho





que fizemos ao sonho
liberto
na madrugada

 aos sorrisos abertos

às noites
e à claridade dos dias
despertos

o que resta
da alvorada
do dia novo

pouco
quase nada

 apenas
uma réstea de esperança
subsiste

um quase nada
que em nós carregamos


esperança
da cor da coragem

coragem desassombrada
 alimento e mágoa
sede e água
poema do instante original

aquele
que em galope
 nos irrompeu
vida fora

como se o nosso olhar
e ser
assim nascera
e sempre fôra

 instante
que nos vai acompanhar
 até ao fim do tempo

este foi
o momento

a um tempo
todos fomos um
e
uno
 foi
portugal

rc


revolução
poema de sophia de mello breyner andresen

esta é a madrugada
que eu esperava
o dia inicial
inteiro e limpo

onde emergimos da noite 
e do silêncio

e livres
habitamos 
substância do tempo

sophia de mello breyner andresen

22 abril 2011

revolução







lembrar abril

a revolução 

 os cravos

e

a

libertação

defender abril

guardá-lo no coração


defendê-lo

dos que

de novo

nos querem escravos

30 março 2011

25 de abril sempre! fascismo nunca mais!





é uma atitude completamente incompreensível que, a pretexto da crise política!!! a assembleia da república não assinale o 25 de abril!


a assembleia da república de portugal, a instituição mais simbólica e representativa da democracia portuguesa, resolveu não comemorar a data da revolução, feita por jovens militares no dia 25 de abril de 1974, que permitiu ao povo recuperar a liberdade, acabar com meio século de fascismo e eleger livremente os seus representantes. 

comemorar hoje os ideais do 25 de abril é já um acto simbólico, pois em portugal já quase nada resta das conquistas revolucionárias, mas não o comemorar é ainda mais simbólico.

ao não assinalar o 25 de abril oficialmente, a assembleia da república está a equiparar-se à assembleia regional da madeira, onde alberto joão jardim não permite que tal aconteça.


como encarar tal atitude dos deputados que nos representam no parlamento?

será que esta decisão foi tomada por unanimidade?

será que TODOS, votaram de igual forma?

mas será que estes deputados, ainda representam alguém?


como dizia a minha mãe «já lhes pica a cevada na barriga», que é o mesmo que dizer

que já têm a barriga cheia.

e é por isso que estes partidos representam cada vez menos o povo português.

eu, por mim, reconheço-me cada vez menos neles.

mas não é por isso que deixo de lutar e defender abril.

e o 25 de abril, de certeza! que vai ser comemorado sempre, e em todo o lado, onde ainda houver pessoas
que acreditam num mundo melhor, mais justo, livre da corrupção, solidário e fraterno.

viva o 25 de abril, sempre!






26 março 2010

mulheres meninas do alentejo



quando eu era menina e vivia no alentejo, as raparigas tornavam-se mulheres muito cedo. a mudança era quase repentina e começava com a puberdade. a partir da primeira menstruação mudava tudo. acabavam-se as brincas na rua, o sentar descuidado nos portados. era preciso preservar a todo o custo a virgindade. a mudança de estatuto de menina para mulhar era tão repentina que não dava tempo a que nos habituássemos e então era só descomposturas «fecha essas pernas», «puxa essa saia para baixo». umas boas nalgadas ajudavam a não esquecer o recado. mas o corpo crescia mais depressa que o cérebro e por vezes tinham de se realizar casamentos à pressa. antes que o vestido branco, símbolo de pureza imaculada, levantasse muito, à frente. outras fugiam com os namorados. no dia seguinte ouvia-se «fulana fugiu com sicrano», que era o mesmo que terem-se (a)juntado. fugiam sempre para casa do namorado, claro! o pai da rapariga não consentiria tais poucas vergonhas em casa. e depois a mãe é que ouvia, do pai e da vizinhança. o namoro começava cedo, quase desde a escola. rapariga que namorasse mais do que um já não era boa. algumas «nunca mais ninguém lhe pegava». como se tivessem lepra. se engravidavam e não casavam era uma desgraça. para elas e para a família. quando o namoro prosseguia sem sobressaltos, o rapaz ia para a guerra do ultramar. muitos voltaram na caixa de pinho. e elas nunca casaram. conheci algumas. enquanto eles estavam na guerra, quase três anos de tropa, elas vestiam uma roupa escura, cinzenta. não saíam a passear. não podiam falar com os rapazes da idade delas. ficariam muito mal vistas. a família do namorado encarregava-se da vigilância. casacos, aventais e saias de chita, tudo escuro e cinzento. lenço na cabeça, em rebuço e «caluda», não dês muito nas vistas. era um país mesmo cinzento, esse da minha meninice. felizmente apanhei o 25 de abril. a revolução devolveu a cor e o sorriso a portugal. a partir daí foi um tempo de furta-cores, ou arco-íris. as pessoas tornaram-se mais felizes. não podemos deixar agora que uns troca cores estraguem tudo.

03 fevereiro 2010

resposta de um capitão de abril Andrade da Silva


Cara Amiga

Obrigado. Andei por muitas terras, naturalmente estive perto de si, mas o problema das terras era comum a Pias e a outros lugares, mas o que me deu água pela barba foram os problemas dos lagares.

Amei Pias, como todo a Alentejo, as pessoas mexiam-se e as coisas aconteciam. Construia-se o Futuro e da minha parte nunca ao de leve passou qualquer divisão de partidos, para mim era a aliança pura do Movimento das Forças Armadas e o Povo, era a justiça em marcha, era a construção do Futuro, nunca pratiquei violência contra ninguém, mas nunca aceitei que alguém se pudesse deitar sem pão, só porque o lagar não funcionava, ou a terra não produzia, isto, nunca devia ter acontecido, e, então, depois de Abril era impensável e nunca comigo isso poderia ser tolerável.

Honro-me de ter evitado a violência, mas ter ajudado a crescer a alegria, e a fazer com que se pagasse milhares de contos em salários em atraso. Todos os latifundiários denunciados por essa prática cobarde, depois de muita resistência lá arranjaram os trocos para pagarem

Ao povo de Pias um grande abraço e para si.

01 fevereiro 2010

carta a um capitão de Abril












estimado capitão
Andrade da Silva

essas Pias que tão bem recorda e fala https://www.blogger.com/comment.g?blogID=4042488865759147347&postID=2782610039332118942 e aonde ainda é recordado por alguns, são as “minhas”. e as de Francisca, como disse o nosso amigo Carlos Domingos poeta do mundo, que tal como ela Francisca, foi um militante clandestino contra o fascismo de então e o de agora. essas Pias pertencem ao concelho de Serpa, mas já pertenceram ao de Moura antigamente. por isso aquela moda, natural de Pias: lá vai serpa, lá vai moura, e as pias ficam no meio, em chegando à minha terra, não há que ter “arreceio”. isto em boa pronúncia pieira, que é como deve ser cantado. pois eu recordo-me bem, quando o capitão, então alferes, Andrade da Silva lá andou. se não estou em erro, até esteve na ocupação da herdade da ínsua, perto da herdade do alvarrão. a ínsua fica na margem esquerda do Guadiana, já para os lados de Moura. eu também lá estava nesse dia, trabalhando. recordo-me de quando nos reunimos todos, sob a copa da azinheira, onde todos os dias descansávamos ao almoço. os militares, então muitos bonitos nas suas fardas, que já não representavam tristeza, barba escura e cerrada, negros e compridos os cabelos. soldados de arma ao ombro e revolução em riste! imagem mítica de guerrilheiros da Sierra Maestra, transposta para o Alentejo, vermelho de esperança. a esperança estava em todos os olhares e rostos e peitos e corações. e saía para o ar provocando explosões, de alegria. eu, rapariga nova (não o são todas as raparigas?) 16 anos! assistia a tudo, um pouco afastada, tal como as minhas companheiras, que ali estávamos todas juntas, separadas dos homens como era o hábito. não porque não quiséssemos estar lá junto deles, a ouvir todas as palavras e a guardá-las em nós. mas é que os homens, tão revolucionários eram e não nos queriam lá, perto deles. não nos deixavam chegar a certos sítios que julgam só deles, ainda hoje. mas nós é que já não somos raparigas novas, já nos passaram pela pele 35 anos. já não estamos para isso, apesar das tentativas que ainda hoje alguns fazem. são pequenas revoluções que temos de travar, todos os dias. mas essa seria outra conversa e não é chamada agora para aqui. pois eu e as minhas camaradas não ouvíamos todas as palavras. chegavam-nos algumas: revolução, exploração, a terra a quem a trabalha, viva a reforma agrária. mas no final ouvimos distintamente: viva o 25 de Abril! e todos e todas respondemos unissonamente: o povo unido jamais será vencido! esta é uma recordação, que eu não sei se é também do capitão, apesar de ser alferes então, se realmente lá esteve nesse dia ou não, mas ficou para sempre, guardada em meu coração.

25 de Abril sempre! fascismo é que nunca mais!