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17 novembro 2011

carta de um grego a um alemão

cartaz americano de apoio à grécia durante a II guerra mundial (imagem do blog http://aventar.eu/)



Estimado Walter,


Passou mais de meio século desde que a 2ª Guerra Mundial terminou. QUER DIZER MAIS DE 50 ANOS desde a época em que a Alemanha deveria ter saldado as suas obrigações para com a Grécia.

Estas dívidas, QUE SÓ A ALEMANHA até agora resiste a saldar com a Grécia (Bulgária e Roménia cumpriram, ao pagar as indemnizações estipuladas), e que consistem em:

1. Uma dívida de 80 milhões de marcos alemães por indemnizações, que ficou por pagar da 1ª Guerra Mundial;

2. Dívidas por diferenças de clearing, no período entre-guerras, que ascendem hoje a 593.873.000 dólares EUA.

3. Os empréstimos em obrigações que contraíu o III Reich em nome da Grécia, na ocupação alemã, que ascendem a 3,5 mil milhões de dólares durante todo o período de ocupação.

4. As reparações que deve a Alemanha à Grécia, pelas confiscações, perseguições, execuções e destruições de povoações inteiras, estradas, pontes, linhas férreas, portos, produto do III Reich, e que, segundo o determinado pelos tribunais aliados, ascende a 7,1 mil milhões de dólares, dos quais a Grécia não viu sequer uma nota.

5. As imensuráveis reparações da Alemanha pela morte de 1.125.960 gregos (38,960 executados, 12 mil mortos como dano colateral, 70 mil mortos em combate, 105 mil mortos em campos de concentração na Alemanha, 600 mil mortos de fome, etc., etc.).

6. A tremenda e imensurável ofensa moral provocada ao povo grego e aos ideais humanísticos da cultura grega.

Amigo Walter, sei que não te deve agradar nada o que escrevo. Lamento-o.

Mas mais me magoa o que a Alemanha quer fazer comigo e com os meus compatriotas.

Amigo Walter: na Grécia laboram 130 empresas alemãs, entre as quais se incluem todos os colossos da indústria do teu País, as quais têm lucros anuais de 6,5 mil milhões de euros. Muito em breve, se as coisas continuarem assim, não poderei comprar mais produtos alemães porque cada vez tenho menos dinheiro. Eu e os meus compatriotas crescemos sempre com privações, vamos aguentar, não tenhas problema. Podemos viver sem BMW, sem Mercedes, sem Opel, sem Skoda. Deixaremos de comprar produtos do Lidl, do Praktiker, da IKEA.

Mas vocês, Walter, como se vão arranjar com os desempregados que esta situação criará, que por aí vos vai obrigar a baixar o seu nível de vida, perder os seus carros de luxo, as suas férias no estrangeiro, as suas excursões sexuais à Tailândia?

Vocês (alemães, suecos, holandeses, e restantes “compatriotas” da Eurozona) pretendem que saíamos da Europa, da Eurozona e não sei mais de onde.

Creio firmemente que devemos fazê-lo, para nos salvarmos de uma União que é um bando de especuladores financeiros, uma equipa em que só jogamos se consumirmos os produtos que vocês oferecem: empréstimos, bens industriais, bens de consumo, obras faraónicas, etc.

E, finalmente, Walter, devemos “acertar” um outro ponto importante, já que vocês também são devedores da Grécia:

EXIGIMOS QUE NOS DEVOLVAM A CIVILIZAÇÃO QUE NOS ROUBARAM!!!

Queremos de volta à Grécia as imortais obras dos nosos antepassados, que estão guardadas nos museus de Berlim, de Munique, de Paris, de Roma e de Londres.

E EXIJO QUE SEJA AGORA!! Já que posso morrer de fome, quero morrer ao lado das obras dos meus antepassados.



Cordialmente,

Georgios Psomás

28 junho 2011

Impossível é não viver





O único impossível é o que julgarmos que não somos capazes de construir. Temos mãos e um número sem fim de habilidades que podemos fazer com elas. Nenhum desses truques é deixá-las cair ao longo do corpo, guardá-las nos bolsos, estendê-las à caridade. Por isso, não vamos pedir, vamos exigir. Havemos de repetir as vezes que forem necessárias: temos direito a viver. Nunca duvidámos de que somos muito maiores do que o nosso currículo, o nosso tempo não é um contrato a prazo, não há recibos verdes capazes de contabilizar aquilo que valemos.







Vida, se nos estás a ouvir, sabe que caminhamos na tua direcção. A nossa liberdade cresce ao acreditarmos e nós crescemos com ela e tu, vida, cresces também. Se te quiserem convencer, vida, de que é impossível, diz-lhe que vamos todos em teu resgate, faremos o que for preciso e diz-lhes que impossível é negarem-te, camuflarem-te com números, diz-lhes que impossível é não teres voz.


José Luís Peixoto

excerto do texto de josé luis peixoto para o movimento myday-lisboa e lido na praça syntagma, em atenas numa assembleia do movimento dos indignados. o texto completo pode ser lido no site do escritor através do link:
http://www.joseluispeixoto.net/








10 maio 2010

o povo grego resiste




o povo grego é um exemplo de resistênciapara os povos da europa e do mundo
 à ofensiva do capitalismo global

05 maio 2010

de volta a setúbal... se não fosse a grécia

o que me apetecia mesmo era falar de setúbal. a azáfama do porto de setúbal em dia de trabalho. tudo na labuta. os pescadores de volta das redes e dos barcos. trabalhadores do porto manobram guinchos de puxar os barcos para terra, outros em pequenas reparações, alguns velhos, antigos pescadores, sentados à conversa. poucos turistas em passeio. muitos pescadores com os apetrechos montados, a pescar na muralha. uma mulher pescadora, de bmw ainda dá mais nas vistas. a figura alta e esguia de um homem de pé, pele tostada pelo ar salgado.  olha o rio azul que se reflecte no seu olhar, fumando calmamente. talvez numa pausa antes de recomeçar a faina. aprecia... qualquer coisa, ou pessoa que lhe passe pela frente. o cheiro do peixe e da maré, à primeira sensação desagradável,  logo se torna natural quando nos damos conta do local em que nos encontramos. é o odor forte e característico de um porto de mar e da lota vizinha. a vista das embarcações de pesca. indescritivel beleza! mil fotografias e não conseguiríamos captá-la, ou todo o labor que envolve essa faina pesada e perigosa, que ainda é a pesca. o colorido dos barcos, arrumados em duas ou três ordens, o seu baloiçar suave nas águas, os gritos das gaivotas e as disputas pelo peixe, a ingenuidade dos nomes inscritos na proa e na popa. sempre a fé, a mística, o nome de alguém querido em reverência temente. à imponderabilidade. em terra, antigas barcaças desoladas,  sem préstimo, contapõem a sua desordem. seriam precisas horas e horas para descrever um dia de trabalho e todas as sensações que nos assaltam. as músicas que nos afloram a lembrança, como se já as tivessemos escutado antes, ali naquele preciso local...os poemas que escrevemos mentalmente e não passámos para o papel...talvez num outro dia, mais inspirado..e . era disto tudo que gostaria de falar se não fosse a grécia e a luta de massas e toda a violência que envolve a exploração capitalista e a resistência que é preciso opôr-lhe.



















18 março 2010

a luta de classes na grécia


os governantes de portugal arrastam  o nosso país para a mesma senda que os da grécia. será que teremos a capacidade de resistir como estão a resistir as massas na grécia? será que este trocas-te vai continuar a governar para si e os seus amigos e a levar o país cada vez mais para baixo? é mais uma lição histórica e um grande exemplo de resistência que a grécia está a dar à europa e ao mundo. temos de acompanhar o desenvolvimento da luta de classes na grécia através de informação externa, já que os nossos media quase ignoram o assunto. estão quase todos muito bem caladinhos... porque será?

“Na quinta-feira 11 de Março, as ruas em 68 cidades e vilas foram rios caudalosos, com a determinação de trabalhadores, jovens, mulheres e pensionistas demonstrada pelo PAME.


Foi a quarta greve em um período de um mês, que ficou marcada pela participação do povo em massa e pela sua dinâmica.

Dezenas de milhares de pessoas protestaram contra os cortes graves e as medidas fiscais que foram iniciadas pelo grande capital e votadas pelo governo social-democrata do PASOK, junto com o LAOS, nacionalista, e também apoiados pelos liberais da ND e pela Federação Helénica de Empresas.

As classes assalariadas, orientando as suas forças, travaram mais uma dura batalha contra a intimidação lançada pelos patrões e seus agentes, o que enriqueceu a experiência militante do povo trabalhador. Muitas pessoas conseguiram superar as suas hesitações e entraram em greve pela primeira vez.


http://jdei.wordpress.com/2010/03/16/saudacao-fraternal-aos-camaradas-gregos/