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15 outubro 2012

a ver o mar



leva-me contigo
a ver o mar
contigo 
a ver o mar

leva-me a ver o lugar
onde nascem as madrugadas

onde começa o dia
 acordam as palavras
suadas
prenhes de rebeldia

quero ver
onde mora a claridade

saber quem 
plantou a sabedoria
quantos átomos
a vida 
tem

porque maturam os sonhos
as espigas
e a verdade

leva-me
às praças cheias 
do povo

leva-me a esses lugares
 teares
do tempo novo
fábricas da revolução

leva-me à fonte 

quero beber
pela concha
 da tua mão


24 abril 2012

que fizemos ao sonho





que fizemos ao sonho
liberto
na madrugada

 aos sorrisos abertos

às noites
e à claridade dos dias
despertos

o que resta
da alvorada
do dia novo

pouco
quase nada

 apenas
uma réstea de esperança
subsiste

um quase nada
que em nós carregamos


esperança
da cor da coragem

coragem desassombrada
 alimento e mágoa
sede e água
poema do instante original

aquele
que em galope
 nos irrompeu
vida fora

como se o nosso olhar
e ser
assim nascera
e sempre fôra

 instante
que nos vai acompanhar
 até ao fim do tempo

este foi
o momento

a um tempo
todos fomos um
e
uno
 foi
portugal

rc


revolução
poema de sophia de mello breyner andresen

esta é a madrugada
que eu esperava
o dia inicial
inteiro e limpo

onde emergimos da noite 
e do silêncio

e livres
habitamos 
substância do tempo

sophia de mello breyner andresen

22 abril 2011

revolução







lembrar abril

a revolução 

 os cravos

e

a

libertação

defender abril

guardá-lo no coração


defendê-lo

dos que

de novo

nos querem escravos

03 outubro 2010

hoje não quero o silêncio




hoje não quero silêncios

de bosques imaginados

não quero o silêncio dos rios perdidos

encantados

não quero silêncios de penumbras

transparentes


hoje não quero o passado


não quero as vozes ausentes

hoje não quero o silêncio das aldeias


hoje quero o presente


hoje quero bandeiras

vermelhas

vermelhas

como o sangue

que corre nas veias