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05 maio 2010

de volta a setúbal... se não fosse a grécia

o que me apetecia mesmo era falar de setúbal. a azáfama do porto de setúbal em dia de trabalho. tudo na labuta. os pescadores de volta das redes e dos barcos. trabalhadores do porto manobram guinchos de puxar os barcos para terra, outros em pequenas reparações, alguns velhos, antigos pescadores, sentados à conversa. poucos turistas em passeio. muitos pescadores com os apetrechos montados, a pescar na muralha. uma mulher pescadora, de bmw ainda dá mais nas vistas. a figura alta e esguia de um homem de pé, pele tostada pelo ar salgado.  olha o rio azul que se reflecte no seu olhar, fumando calmamente. talvez numa pausa antes de recomeçar a faina. aprecia... qualquer coisa, ou pessoa que lhe passe pela frente. o cheiro do peixe e da maré, à primeira sensação desagradável,  logo se torna natural quando nos damos conta do local em que nos encontramos. é o odor forte e característico de um porto de mar e da lota vizinha. a vista das embarcações de pesca. indescritivel beleza! mil fotografias e não conseguiríamos captá-la, ou todo o labor que envolve essa faina pesada e perigosa, que ainda é a pesca. o colorido dos barcos, arrumados em duas ou três ordens, o seu baloiçar suave nas águas, os gritos das gaivotas e as disputas pelo peixe, a ingenuidade dos nomes inscritos na proa e na popa. sempre a fé, a mística, o nome de alguém querido em reverência temente. à imponderabilidade. em terra, antigas barcaças desoladas,  sem préstimo, contapõem a sua desordem. seriam precisas horas e horas para descrever um dia de trabalho e todas as sensações que nos assaltam. as músicas que nos afloram a lembrança, como se já as tivessemos escutado antes, ali naquele preciso local...os poemas que escrevemos mentalmente e não passámos para o papel...talvez num outro dia, mais inspirado..e . era disto tudo que gostaria de falar se não fosse a grécia e a luta de massas e toda a violência que envolve a exploração capitalista e a resistência que é preciso opôr-lhe.



















26 abril 2010

pescarias em setúbal


belíssimo cenário o da arrábida, serra mãe de sebastião da gama, num verde refulgente de pinheiros bravos, coroada pela fortaleza três vezes filipina (construída por filipe I, denominda de s. filipe, sob o risco de fillipo terzi). a seus pés, entre a serra e o sado azul de golfinhos, a cidade de bocage . caminhando pelo cais sente-se o rio, que se enrola em pequenas ondas num marulhar de conchas, alongando-se na estreita língua de areia que a maré baixa descobriu. que paz! que sossego! traineiras regressam da pesca, quem sabe se carregadas de sarrdinha e carrapau. a brisa leve sopra nas faces e enfuna velas nas roupas. os pescadores da muralha lançam o isco para longe... com sorte virá um robalo, mas se for massacote ou alcorraz também não é mau. já umas esquilhas só mesmo no prato. ou uma sarda escalada, mas só se for com bastante sal e orégãos, para disfarçar o sabor do pechum desses petiscos de pobres e antigos pescadores. salmonete é só para quem lhe pode chegar. um cargueiro chinês abandona o porto da cidade sadina, enquanto os ferrys não param na sua canseira de trasvessias. o sado, um tudo nada picado por alguma aragem, oferece uma superfície de de diamantes faiscando ao sol, agora um pouco mais forte. apetece deitar na relva e preguiçar, lentamente.