26 abril 2010

pescarias em setúbal


belíssimo cenário o da arrábida, serra mãe de sebastião da gama, num verde refulgente de pinheiros bravos, coroada pela fortaleza três vezes filipina (construída por filipe I, denominda de s. filipe, sob o risco de fillipo terzi). a seus pés, entre a serra e o sado azul de golfinhos, a cidade de bocage . caminhando pelo cais sente-se o rio, que se enrola em pequenas ondas num marulhar de conchas, alongando-se na estreita língua de areia que a maré baixa descobriu. que paz! que sossego! traineiras regressam da pesca, quem sabe se carregadas de sarrdinha e carrapau. a brisa leve sopra nas faces e enfuna velas nas roupas. os pescadores da muralha lançam o isco para longe... com sorte virá um robalo, mas se for massacote ou alcorraz também não é mau. já umas esquilhas só mesmo no prato. ou uma sarda escalada, mas só se for com bastante sal e orégãos, para disfarçar o sabor do pechum desses petiscos de pobres e antigos pescadores. salmonete é só para quem lhe pode chegar. um cargueiro chinês abandona o porto da cidade sadina, enquanto os ferrys não param na sua canseira de trasvessias. o sado, um tudo nada picado por alguma aragem, oferece uma superfície de de diamantes faiscando ao sol, agora um pouco mais forte. apetece deitar na relva e preguiçar, lentamente.


















5 comentários:

Marília Gonçalves disse...

Da pesca dos profissionais à pesca à cana

Amiga Rosalina

quando vamos de férias, como minha mãe tem casa em Palmela, somos quase todos os dias chamados de longe pelas cintilações azuis do Sado. Por conseguinte vamos inúmeras vezes a Setúbal, Cidade de convívio e que sempre nos fascinou
Certa tarde perto do pontão dos barcos para Tróia, como pescadores que somos por ali estávamos a tentar compreender a diferença da montagem das linhas de pesca, que difere de recanto em recanto de Portugal e por aqui pela França também, correntes, configuração dos fundos, marés, têm uma influência certa nestas diferenças mais ou menos acentuadas. Por ali nos quedávamos interessados e contemplativos, quando um casal de pescadores se nos dirigiu espontâneamente. Ao ver-nos interessados abriam em explicações minuciosas que nos viriam a ser úteis tempo depois.
Contou-me a senhora enquanto o marido fazia mais um lançamento, que era costuma juntar-se ali um grupo de pescadores amigos e que além das horas de pescaria partilhavam os caseiros acepipes com que se regalavam ora porque o peixe menos activo por momentos não picava ora porque algum sopro de vento mais fresco os convidava a ingerir algo que os reconfortasse para em seguida se darem de novo ao desporto tão apreciado e por vezes tão útil. A senhora com quem falei disse-me que nesse dia, além do espantoso pão alentejano, levava uma panela de caldo verde que mantinha ao quente. E cada um do grupo trazia o seu quinhão para aquela festa improvisada pela amizade popular, uns traziam bolinhos de bacalhau, e coisas do género.
Antes de nos irmos embora deram-nos todo o tipo de informações, de habitantes da terra para quem esta não tinha segredos. Assim indicaram-nos restaurantes onde se comia bem e em conta. Fomos experimentar um deles. Comemos uns choquinhos com tinta com migas de nabiça que eram uma verdadeira delícia.
Noutro dia fomos a um que ficava numa esquina, onde nos serviram umas sardinhas assadas com o tradicional acompanhamento de batata cozida e salada, de tal frescura, que nunca mais esquecemos, numa época em que tantas vezes apanhamos com sardinhas saídas do gelo e que se desfazem como farinha.
Isto foi há dez anos atrás. Não sei, porque há cinco anos por motivos de saúde não vou a Portugal, se os restaurantes de Setúbal se mantêm acessíveis e de tal qualidade!
Espero que sim... e logo que volte a Portugal não deixarei de ir contemplar o Sado onde por vezes os golfinhos se nos mostraram entre a barra e a Figueirinha
E acima de tudo espero que o povo continue tão comunicativo e generoso como o era então
o meu abraço para ti Rubra Papoila, e para todos os habitantes da região ainda com um aceso VIVA O 25 DE ABRIL!
Marília Gonçalves

azinheira sou eu disse...

e aqui temos a marilia pescadora!
sempre atenta aos meus escritos. obrigado marilia.
sim senhora, ainda há uns restaurantezitos onde se come um peixito. alguns com pequenos grandes pormenores, que nos fazem voltar. e setúbal é tão bonita!...
abraços
e viva sempre o 25 de abril

Anónimo disse...

Rubra Papoila. Assenta-te que nem uma luva.
beijinho, Joana

azinheira sou eu disse...

eu sou rubra papoila e a joana e a merilia são duas rosas vermelhas!

azinheira sou eu disse...

queria dizer a marilia