29 novembro 2012
28 novembro 2012
lembrança
fui essa que nas ruas esmolou
e fui a que habitou paços reais;
no mármore de curvas ogivais
fui essa que as mãos pálidas poisou...
tanto poeta em versos me cantou!
fiei o linho à porta dos casais...
fui descobrir a índia e nunca mais
fui descobrir a índia e nunca mais
voltei! fui essa nau que não voltou...
tenho o perfil moreno, lusitano,
e os olhos verdes, cor do verde oceano,
sereia que nasceu de navegantes...
tudo em cinzentas brumas se dilui...
ah, quem me dera ser essas que eu fui,
as que me lembro de ter sido... dantes!...
florbela espanca,
"charneca em flor"
"charneca em flor"
24 novembro 2012
21 novembro 2012
parem a guerra contra o povo da palestina
dor pelas crianças, pelas mulheres, pelo povo da palestina. como é possível que continue tal massacre?!
"Os mortos respiram ainda nos meus olhos
Na minha boca ecoa a sua voz
Esfacelados os corpos por escolhos
Estremecem entre as mãos de todos nós.
Morrem ao seio das mães as crianças
Eram estrelas de vida sorridentes
Para quem só existe escuridão
Queimados corpos lembram andorinhas
Que ao azul do vôo não mais se elevarão.
Eu morro em cada corpo calcinado
O meu olhar cegou de tanto ver
Nunca mais uma aurora sobre um prado
Trará a cor da vida a renascer.
Mesmo o poente que loiro pousa em tudo
Ou o bravo oceano de onda forte
Trarão à vida os olhos de veludo
Gelando em mim em iras contra a morte!"
18 novembro 2012
se uma gaivota viesse...
aí temos uma bela manhã de sol
brilhante
um cheirinho de vento fustiga as altas copas do arvoredo do parque
acima dos telhados
eu, qual papalagui,
avisto da minha gaiola
os vizinhos do bloco da frente
tomam o pequeno almoço na varanda
escuto
e vejo minúsculos passarinhos
(desconfio que petinas, pelas cores e pios)
esvoaçando em mil batidas de coração
caçam insectos quase invisíveis
já os melros do quintal bateram asas e partiram
há horas
enquanto não ligo o facebook
que me traz as desgraças do mundo
fico-me por aqui
à janela do domingo de manhã
escutando o carlos do carmo
se uma gaivota viesse, trazer-me o céu de lisboa...
se essa gaivota viesse
eu partia
me
no titanic
me
no titanic
16 novembro 2012
12 novembro 2012
11 novembro 2012
de negro e em luta
de negro nos vestimos agora, como a negra noite, porque em luta estamos. porque recusamos a miséria, os dias frios e sem agasalhos, sem sapatos, os pés descalços no chão, gretados no frio afiado, as mãos entenguidas, encolhidas, os lábios rasgados, a sangrar de abrir nos sorrisos, a gaveta sem pão, o prato vazio. recusamos a esmola do pão duro, com toucinho rançoso, agora vestida com embalagens de plástico e cartão colorido. recusamos as salas de aula dos bordados e o crucifixo e a bênção do sr padre e os sopapos da professora e os castigos contra a parede. recusamos o almoço na cantina.
recusamos a caridade.
temos dignidade.
recusamos tudo isto, porque já o vivemos um dia e porque não o queremos, de volta.
recusamos o portugal salazarista, que nos querem servir requentado, em prato novo.
queremos trabalhar, com as nossas mãos, os nossos, braços, a nossa inteligência.
não queremos sair de portugal.
amamos portugal.
lutaremos por portugal.
faremos a greve geral.
09 novembro 2012
ética e memética
artigo de rosa alice branco que "piquei" de http://www.viralagenda.com/
Brain Dead por Doug Munson
Já assistimos a muitos massacres causados pela fácil transmissão de memes. E ao sermos vítimas indefesas e, até agora, inoperativas de um massacre etiquetado com a palavra “corrupção”, podemos pensar que se trata de um meme, ou de um conjunto de memes. Na verdade, a corrupção replica-se e esconde-se de tal modo que parece ser um meme particularmente estratega, transmissível com uma facilidade assustadora, abonado por uma impunidade que faz parte do seu conceito, no seu estado mais puro. Mas, espanto dos espantos, o facto mor é que a corrupção não possui uma das características dos memes: a obrigação de se replicar não está no seu ADN.
Temos que aceitar que a corrupção é uma escolha, escolhida por alguns em benefício próprio.
http://www.viralagenda.com/posts/1http://www.viralagenda.com/posts/1
08 novembro 2012
cultura contra a austeridade
o manifesto em defesa da cultura volta à sociedade filarmónica agrícola lavradiense
(SFAL). enquanto decorre o talkshow "Cachaporreiro ao Vivo" para
assinalar a edição nº 100 do jornal daquela colectividade , alguns artistas plásticos vão pintar
um painel - integrando-se no espectáculo onde decorrem entrevistas, música, acrobática,
poesia e... pintura - e chamar a atenção sobre a situação actual do país, especialmente na área
da cultura, decorrente da política desastrosa em curso. o convite é aberto a todos.
A
política de austeridade destrói a cultura, o país e as vidas das pessoas.
Os
trabalhadores da cultura sofrem, como todos os outros, com o desemprego,
com a
precariedade, com os baixos salários e com o trabalho sem direitos.
A maior
parte dos trabalhadores da cultura não tem direito a subsídio de férias e
de
natal, não tem direito ao subsídio de desemprego, apesar de pagar
prestações
muito altas à segurança social.
A
cultura em Portugal está a ser destruída pela política de austeridade. Todos os
dias, trabalhadores da cultura abandonam
a profissão ou imigram. Os mais
jovens não têm futuro. Centenas de estruturas
fecham.
Lutamos
contra a política de austeridade. Exigimos 1% do Orçamento do Estado
07 novembro 2012
zaventem
há coisas curiosas. não sabia eu que este blog era tão lido na bélgica, mais propriamente na localidade de zaventem. a verdade é que já há algum tempo há leitores assíduos do só planicie em zaventem, mas hoje cerca das 17,30, estavam 13 leitores on line. agora já vai em 17 consultas ao blog, só de zaventem!
fico agradecida a quem de tão longe - não sei se emigrantes - procura alguma coisa nestas páginas, imagens, leituras da realidade, do momento presente...o que seja...
obrigado a quem me lê
já agora, se lá em zaventem lerem isto, digam qualquer coisinha :)
rio de brisas azuis
rio de brisas
azuis
corres nas minhas veias
fluis
em palavras
emprestadas
ditas por outros
antes de mim
rio
o teu nome
tejo
eu te reconheço
como se foras meu berço
nomes,
outros,
te deram
seres que
já humanos
assim
assim
se alevantaram
e um dia
em seu olhar
te abarcaram
abraçaram
na voragem destes dias
de raiva
contida
rio
da minha vida
da minha vida
só tu me dás paz
29 outubro 2012
dar corpo ao manifesto, na sfal
(lúcio fontana)
dar corpo ao manifesto em defesa da cultura
dia 30 de outubro na sfal, 21h, lavradio
lá esperamos encontrar
amigos
conhecidos
quem queira ir
e levar outros mais
quem recusa o suicídio colectivo
que nos querem impôr
porque este é o tempo de
sair à rua
e lutar
manifestem-se!
agora
ou
amanhã
será tarde demais
25 outubro 2012
as mulheres não sabem
na planície ondulante
sopra um vento escaldante
o vento suão
e as mulheres não sabem
que nome dar
ao sentimento vago
que veio do mar
que lhe vagueia
na alma
e as almareia
as mulheres não sabem
os afagos
que guardam nas mãos
os mil sossegos
que lhe bailam nos dedos
com que alisam os medos
as mulheres não sabem
que os seus olhos cintilam
em lagos de mansidão
quando fundas
nas noites escuras
se dão
as mulheres só sabem
que esse quente vento
sufocante
suão
tem outros nomes
só elas sabem
as mulheres
que nomes
são
19 outubro 2012
manifestos
em 1848 surgiu o "manifesto" mais conhecido do mundo
o manifesto comunista, publicado por marx e engels
manifesto enquanto panfleto de denúncia e recusa da socieadade capitalista e apelo à tomada de consciência dos proletários contra o seu inimigo de classe, o capital
mais de 150 anos depois o texto continua profundamente actual
no tempo presente, face à política de destruição da sociedade democrática, da liberdade e dos direitos do povo e dos trabalhadores
os portugueses começam a assumir e a desfraldar manifestos
aqui e ali surgem os mais diversos manifestos
justamente de recusa deste caminho destrutivo
caminho já bastamente conhecido de todos os prolétários
ei-los
alguns dos manifestos de que vamos tomando conhecimento:
surgiu em 2011 o manifesto em defesa da cultura
em setembro de 2012 foi o manifesto em defesa do pólo ferroviário do barreiro
ainda no mesmo mês o manifesto dos artistas contra a troika
depois o manifesto do design
agora o manifesto dos jornalistas
quem é que vem a seguir?
vá, continuem a manifestar-se
18 outubro 2012
15 outubro 2012
a ver o mar
leva-me contigo
a ver o mar
contigo
a ver o mar
leva-me a ver o lugar
onde nascem as madrugadas
onde começa o dia
e acordam as palavras
suadas
prenhes de rebeldia
quero ver
quero ver
onde mora a claridade
saber quem
plantou a sabedoria
quantos átomos
a vida
tem
saber quem
plantou a sabedoria
quantos átomos
a vida
tem
porque maturam os sonhos
as espigas
e a verdade
leva-me
às praças cheias
do povo
leva-me a esses lugares
teares
do tempo novo
fábricas da revolução
leva-me à fonte
quero beber
pela concha
da tua mão
da tua mão
09 outubro 2012
isto tem de mudar
a maçã está podre o mundo está podre isto está tudo podre os ricos sempre mais gordos os pobres morrem à fome o desemprego que te consome a casa que não podes pagar aonde é que vais morar na ponte já não há lugar estão-te a empurrar para emigrar mas este é o teu sítio o teu lugar é aqui que está o teu coração tu tens é de lutar o mundo pode mudar isso está na tua mão mas tu precisas de pão tu tens de trabalhar por onde é que vamos começar vamos começar já a mudar a democracia tem de mudar tem de ser o povo a mandar os partidos têm de mudar os revolucionários também somos todos proletários somos contra os privilégios os direitos são de todos não são de ninguém nós vamos sobreviver nós vamos lutar nós vamos vencer nós somos os lobos e o luar
08 outubro 2012
07 outubro 2012
a república, a pátria
estremeci, os meus olhos marejaram, quando ouvi
aquelas duas mulheres
revoltando-se contra a iniquidade
resgatando o espírito da república
uma delas alentejana
como alentejana era aquela que inspirou o artista
que o primeiro busto esculpiu
valentes, corajosas
mulheres
sigamos o seu exemplo
revoltemo-nos
contra quem nos quer roubar a república
a pátria
hoje é a república, amanhã é o 25 de abril
viva a república!
viva o 25 de abril!
04 outubro 2012
segredos que digo ao tejo
tejo meu
em ti
eu sou mais eu
sou água
pão e planície
tejo
rio
em que a toda a hora
me vou
me deslumbro
sinto
e descubro
rio
da minha vida
sempre novo
rio
sem idade
tejo
é como se eu
pressentisse
um segredo
que
nunca te disse
és minha líquida planície
minha livre liberdade
tejo
em ti
eu sou
mais eu
sou
mais alentejo
02 outubro 2012
30 setembro 2012
29 setembro 2012
bom dia! hoje é o dia
bom dia!
hoje é o dia, de fazer tremer os alicerces do poder, deste poder que nos quer deitar a perder, como povo.
vamos todos acorrer, a correr, ao chamado, dar um grande brado NÃO.
nós queremos a revolução, nós que já comemos o pão que o diabo amassou, não o vamos comer de novo.
somos um povo de mulheres e homens prontos para uma revolução.
vamos fazer o nosso tempo novo.
com as nossas mãos!
28 setembro 2012
26 setembro 2012
a jangada de pedra está em marcha
estamos à beira de transformações históricas no mundo. os povos revoltam-se contra as ditaduras do capital.
fascismos disfarçados de austeridade.
é a luta de classes! em portugal e na espanha, também.
a jangada de pedra está em marcha!
a par da luta anti-capitalista, os povos lutam ainda contra a corrupção que minou os sistemas democráticos.
a luta é, também, pela libertação da democracia.
de todas as peias e cadeias.
os povos levantam-se e reclamam: que venha o tempo novo!
uma democracia onde nós, o povo, nos possamos sentir plenamente representados.
onde as nossas opiniões contem, verdadeiramente.
uma democracia a sério.
porque o povo é sério.
e honesto.
queremos o tempo novo. sejamos nós a inventá-lo!
nós somos o povo!
dia 29!
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