28 novembro 2012

lembrança




fui essa que nas ruas esmolou 
e fui a que habitou paços reais; 
no mármore de curvas ogivais 

fui essa que as mãos pálidas poisou..



tanto poeta em versos me cantou! 
fiei o linho à porta dos casais... 
fui descobrir a índia e nunca mais 
voltei! fui essa nau que não voltou... 

tenho o perfil moreno, lusitano, 
e os olhos verdes, cor do verde oceano, 
sereia que nasceu de navegantes... 

tudo em cinzentas brumas se dilui... 
ah, quem me dera ser essas que eu fui, 
as que me lembro de ter sido... dantes!... 

florbela espanca, 
"charneca em flor"

21 novembro 2012

parem a guerra contra o povo da palestina


 dor pelas crianças, pelas mulheres, pelo povo da palestina. como é possível que continue tal massacre?!

"Os mortos respiram ainda nos meus olhos
Na minha boca ecoa a sua voz
Esfacelados os corpos por escolhos
Estremecem entre as mãos de todos nós.
Morrem ao seio das mães as crianças
Eram estrelas de vida sorridentes
Para quem só existe escuridão
Queimados corpos lembram andorinhas
Que ao azul do vôo não mais se elevarão.
Eu morro em cada corpo calcinado
O meu olhar cegou de tanto ver
Nunca mais uma aurora sobre um prado
Trará a cor da vida a renascer.
Mesmo o poente que loiro pousa em tudo
Ou o bravo oceano de onda forte
Trarão à vida os olhos de veludo
Gelando em mim em iras contra a morte!"


18 novembro 2012

se uma gaivota viesse...


  
aí temos uma bela manhã de sol
brilhante 
um cheirinho de vento fustiga as altas copas do arvoredo do parque
acima dos telhados
eu, qual papalagui,
avisto da minha gaiola
os vizinhos do bloco da frente
 tomam o pequeno almoço na varanda

 escuto
e vejo minúsculos passarinhos
(desconfio que petinas, pelas cores e pios)
esvoaçando em mil batidas de coração
caçam insectos quase invisíveis

já os melros do quintal bateram asas e partiram
há horas

enquanto não ligo o facebook 
que me traz as desgraças do mundo
fico-me por aqui
à janela do domingo de manhã
escutando o carlos do carmo
se uma gaivota viesse, trazer-me o céu de lisboa...

se essa gaivota viesse
eu partia
me
 no titanic


12 novembro 2012

11 novembro 2012

de negro e em luta



de negro nos vestimos agora, como a negra noite, porque em luta estamos. porque recusamos a miséria, os dias frios e sem agasalhos, sem sapatos, os pés descalços no chão, gretados no frio afiado, as mãos entenguidas, encolhidas, os lábios rasgados, a sangrar de abrir nos sorrisos, a gaveta sem pão, o prato vazio. recusamos a esmola do pão duro, com toucinho rançoso, agora vestida com embalagens de plástico e cartão colorido. recusamos as salas de aula dos bordados e o crucifixo e a bênção do sr padre e os sopapos da professora e os castigos contra a parede. recusamos o almoço na cantina.
recusamos a caridade. 
temos dignidade.

recusamos tudo isto, porque já o vivemos um dia e porque não o queremos, de volta.
recusamos o portugal salazarista, que nos querem servir requentado, em prato novo.

queremos trabalhar, com as nossas mãos, os nossos, braços, a nossa inteligência.
não queremos sair de portugal. 
amamos portugal. 
lutaremos por portugal.
faremos a greve geral.

09 novembro 2012

ética e memética

artigo de rosa alice branco que "piquei" de http://www.viralagenda.com/
Brain Dead
Brain Dead por Doug Munson


Já assistimos a muitos massacres causados pela fácil transmissão de memes. E ao sermos vítimas indefesas e, até agora, inoperativas de um massacre etiquetado com a palavra “corrupção”, podemos pensar que se trata de um meme, ou de um conjunto de memes. Na verdade, a corrupção replica-se e esconde-se de tal modo que parece ser um meme particularmente estratega, transmissível com uma facilidade assustadora, abonado por uma impunidade que faz parte do seu conceito, no seu estado mais puro. Mas, espanto dos espantos, o facto mor é que a corrupção não possui uma das características dos memes: a obrigação de se replicar não está no seu ADN.
Temos que aceitar que a corrupção é uma escolha, escolhida por alguns em benefício próprio.
ler todo o artigo em:
 http://www.viralagenda.com/posts/1http://www.viralagenda.com/posts/1

08 novembro 2012

cultura contra a austeridade


o manifesto em defesa da cultura  volta  à sociedade filarmónica agrícola lavradiense

 (SFAL).  enquanto decorre o talkshow "Cachaporreiro ao Vivo" para 

assinalar a edição nº 100 do jornal daquela colectividade alguns artistas plásticos vão pintar 

um painel -  integrando-se no espectáculo onde decorrem  entrevistas, música, acrobática, 

poesia e... pintura - e chamar a atenção sobre a situação actual do país, especialmente na área 

da cultura, decorrente da política desastrosa em cursoo convite é aberto a todos.


 A política de austeridade destrói a cultura, o país e as vidas das pessoas.

Os trabalhadores da cultura sofrem, como todos os outros, com o desemprego,
com a precariedade, com os baixos salários e com o trabalho sem direitos.

A maior parte dos trabalhadores da cultura não tem direito a subsídio de férias e
de natal, não tem direito ao subsídio de desemprego, apesar de pagar
prestações muito altas à segurança social.

A cultura em Portugal está a ser destruída pela política de austeridade. Todos os
dias, trabalhadores da  cultura abandonam a profissão ou imigram. Os mais
jovens não têm futuro. Centenas de estruturas fecham.

 Lutamos contra a política de austeridade. Exigimos 1% do Orçamento do Estado
para a cultura. Se todos lutarmos, TODOS VENCEREMOS!
http://emdefesadacultura.blogspot.pt/

07 novembro 2012

zaventem




há coisas curiosas. não sabia eu que este blog era tão lido na bélgica, mais propriamente na localidade de zaventem. a verdade é que já há algum tempo há leitores assíduos do só planicie   em zaventem, mas hoje cerca das 17,30, estavam 13 leitores on line. agora já vai em 17 consultas ao blog, só de zaventem!
fico agradecida a quem de tão longe - não sei se emigrantes - procura alguma coisa nestas páginas, imagens, leituras da realidade, do momento presente...o que seja...

obrigado a quem me lê

já agora, se lá em zaventem lerem isto, digam qualquer coisinha :)

rio de brisas azuis


rio de brisas
azuis
corres nas minhas veias

fluis
em palavras 
emprestadas
ditas por outros
antes de mim

rio
o teu nome
tejo

eu te reconheço
como se foras meu berço

nomes,
outros,
te deram

seres que
já humanos
assim
se alevantaram

e um dia
em seu olhar
te abarcaram

abraçaram

na voragem destes dias
de raiva
contida

rio
 da minha vida

só tu me dás paz 

29 outubro 2012

dar corpo ao manifesto, na sfal


(lúcio fontana)

dar corpo ao manifesto em defesa da cultura
dia 30 de outubro na sfal, 21h, lavradio


lá esperamos encontrar 
amigos
conhecidos
 quem queira ir 
e levar outros mais
quem recusa o suicídio colectivo
que nos querem impôr
porque este é o tempo de
sair à rua
 e lutar

manifestem-se!
agora 

ou 
amanhã
será tarde demais



25 outubro 2012

as mulheres não sabem




na planície ondulante

sopra um vento escaldante

o vento suão

e as mulheres não sabem

que nome dar

ao sentimento vago

que veio do mar

que lhe vagueia

na alma

e as almareia

as mulheres não sabem

os afagos

que guardam nas mãos

os mil sossegos

que lhe bailam nos dedos

com que alisam os medos

as mulheres não sabem

que os seus olhos cintilam

em lagos de mansidão

quando fundas

nas noites escuras

se dão


as mulheres só sabem

que esse quente vento

sufocante

suão

tem outros nomes

só elas sabem

as mulheres

que nomes

são

19 outubro 2012

manifestos

 em 1848 surgiu o "manifesto" mais conhecido do mundo
o manifesto comunista, publicado por marx e engels
manifesto enquanto panfleto de denúncia e recusa da socieadade capitalista e apelo à tomada de consciência dos proletários contra o seu inimigo de classe, o capital
 mais de 150 anos depois o texto continua profundamente actual


no tempo presente, face à política de destruição da sociedade democrática, da liberdade e dos direitos do povo e dos trabalhadores
os portugueses começam a assumir e a desfraldar manifestos
aqui e ali surgem os mais diversos manifestos
justamente de recusa deste caminho destrutivo
caminho já bastamente conhecido de todos os prolétários
ei-los 
alguns dos manifestos de que vamos tomando conhecimento:
surgiu em 2011 o manifesto em defesa da cultura


em setembro de 2012 foi o manifesto em defesa do pólo ferroviário do barreiro


ainda no mesmo mês o manifesto dos artistas contra a troika


depois o manifesto do design


agora o manifesto dos jornalistas 


quem é que vem a seguir?

vá, continuem a manifestar-se



18 outubro 2012

errâncias


ai, senhora! quer retratos dê um ério



vidas ciganas

vividas em caravanas

está-lhes na massa do sangue



outras, nem isso

mais isoladas

mais excluídas

ainda


vidas

vividas

pelas estradas da vida

15 outubro 2012

a ver o mar



leva-me contigo
a ver o mar
contigo 
a ver o mar

leva-me a ver o lugar
onde nascem as madrugadas

onde começa o dia
 acordam as palavras
suadas
prenhes de rebeldia

quero ver
onde mora a claridade

saber quem 
plantou a sabedoria
quantos átomos
a vida 
tem

porque maturam os sonhos
as espigas
e a verdade

leva-me
às praças cheias 
do povo

leva-me a esses lugares
 teares
do tempo novo
fábricas da revolução

leva-me à fonte 

quero beber
pela concha
 da tua mão


09 outubro 2012

isto tem de mudar






a maçã está podre o mundo está podre isto está tudo podre os ricos sempre mais gordos os pobres morrem à fome o desemprego que te consome a casa que não podes pagar aonde é que vais morar na ponte já não há lugar estão-te a empurrar para emigrar mas este é o teu sítio o teu lugar é aqui que está o teu coração tu tens é de lutar o mundo pode mudar isso está na tua mão mas tu precisas de pão tu tens de trabalhar por onde é que vamos começar vamos começar já a mudar a democracia tem de mudar tem de ser o povo a mandar os partidos têm de mudar os revolucionários também somos todos proletários somos contra os privilégios os direitos são de todos não são de ninguém nós vamos sobreviver nós vamos lutar nós vamos vencer nós somos os lobos e o luar

08 outubro 2012

espero as águas e a semente



lado a lado
deitados
os nossos corpos 
alados

nús
sobre a terra
somos
 quase nada

entre nós apenas o desejo
erra

ficamos aqui
à espera

da noite estrelada

sou terra
lavras o meu ventre

espero as águas
e a semente

07 outubro 2012

a república, a pátria



estremeci, os meus olhos marejaram, quando ouvi
aquelas duas mulheres
revoltando-se contra a iniquidade
resgatando o espírito da república
uma delas alentejana
como alentejana era aquela que inspirou o artista
que o primeiro busto esculpiu

valentes, corajosas
mulheres

sigamos o seu exemplo

revoltemo-nos

contra quem nos quer roubar a república
a pátria

hoje é a república, amanhã é o 25 de abril

viva a república!
viva o 25 de abril!

04 outubro 2012

segredos que digo ao tejo



tejo meu
em ti 
eu sou mais eu

sou água
pão e planície

tejo
rio
em que a toda a hora
me vou
me deslumbro
sinto
e descubro

rio
da minha vida
sempre novo
rio
sem idade

tejo
é como se eu
pressentisse
um segredo
que
nunca te disse

és minha líquida planície

minha livre liberdade


tejo
em ti 
eu sou
mais eu

sou
mais alentejo

02 outubro 2012

searas de um dia novo



o dia começa cedo
saindo aos poucos
do meu corpo

ainda o cérebro vagueia
absorto
em paisagens
que só ele sabe
e descobre

enquanto 
os gatos preguiçam
e sacodem
os novelos da noite

a manhã clara
desperta 
com rumores de sol
subindo
pelos meus pés

começam a nascer
as searas

palavras
de um dia novo

30 setembro 2012

o povo saiu à rua

estação dos barcos, barreiro. filas para o barco das 14h25.

a manif era às 15h!!!


nunca mais chegava a nossa vez!!!! tanto povo que saiu à rua para a manifestação

o povo saiu à rua

e foi assim


o povo tomou o terreiro


e agora

só falta tomar o paço




29 setembro 2012

bom dia! hoje é o dia



bom dia!
hoje é o dia, de fazer tremer os alicerces do poder, deste poder que nos quer deitar a perder, como povo. 
vamos todos acorrer, a correr, ao chamado, dar um grande brado NÃO. 
nós queremos a revolução, nós que já comemos o pão que o diabo amassou, não o vamos comer de novo.
 somos um povo de mulheres e homens prontos para uma revolução. 
vamos fazer o nosso tempo novo. 
com as nossas mãos!

28 setembro 2012

o futuro. amanhã é o dia



o futuro

começa cedo


o futuro

pode começar

num dia escuro


o futuro

não tem hora

o

o futuro

pode chegar

a qualquer hora


o futuro 

não tem medo

do futuro


o futuro começa agora



andam futuros no ar

nasçam asas

para os agarrar

26 setembro 2012

a jangada de pedra está em marcha



estamos à beira de transformações históricas no mundo. os povos revoltam-se contra as ditaduras do capital.
fascismos disfarçados de austeridade.
é a luta de classes! em portugal e na espanha, também.
a jangada de pedra está em marcha!
a par da luta anti-capitalista, os povos lutam ainda contra a corrupção que  minou os sistemas democráticos.
a luta é, também, pela libertação da democracia.
de todas as peias e cadeias.
os povos levantam-se e reclamam: que venha o tempo novo!
uma democracia onde nós, o povo, nos possamos sentir plenamente representados.
onde as nossas opiniões contem, verdadeiramente.
uma democracia a sério.
porque o povo é sério.
e honesto.
queremos o tempo novo. sejamos nós a inventá-lo!
nós somos o povo!

dia 29!