04 junho 2012

cordoba. palabras en la calle



fim de tarde 

de um  fevereiro

 frio

em córdova



  espelho de guadalquivir

assim lhe chamamos

que nome a si mesmo se dará

o rio ...

ignoramos


no outro lado do espelho

as palavras 


por la ventana

moriscas an mirado

lo que mirar querian

lo que an mirado

...

quien

 las ai mirado...


no lo sé



caminamos por la vida
por la calle


al encuentro de la noche

 ... de las tapas

 e una copa de vino...


si! 

contracorriente


siempre!




caminando, caminando

se hace el camino

lo final 

non lo vamos a saber


columnas de piedra

miles!

como  palmeras

 en el desierto


puertas abiertas a la claridad

al dia

a la vida


mi casa es

una ciudad

con una puerta 

a la aurora


siempre busco a mi lugar



pero no me he encontrado 

rc

24 maio 2012

quando eu nasci






"quando eu nasci,
ficou tudo como estava..."
sebastião da gama


quase nasci debaixo de uma azinheira
numa segunda feira
quente como fornalha

quase em cama de palha

que  minha mãe
ceifeira de trigo
cortava
na herdade de belmeque
junto à serra da preguiça

em alentejo largo
de sol a sol
e castigo

no campo do latifúndio
abri os olhos

espantei-me com o mundo

levaram minha mãe
num burro
e
nasci em casa
na rua do castelo
hoje nº 12,
então não tinha número

naquela aldeia de pias
da vila de serpa
longe de tudo
era grande o mundo


eu nasci  e o meu pai estava preso
em caxias
por causa de maio

por causa de maio
antes daquele dia
o
primeiro,
vieram
muitas vezes 
buscá-lo

à noite 
atrás de grades
o meu pai 
trazia
no peito a dor
de um país sem liberdade



ainda nem me conhecia
e as saudades já 
que sentia

escrevia-as
nas cartas que alguém lia
e minha mãe  escutava 

e chorava


quando os seus olhos me viram
eu  sorria 
e já tinha meses


herdei de meu pai
essa dor 
e
ao longo da minha vida
a tenho sentido

ainda a  sinto 
muitas vezes 


nasci a 25 de maio de 1959

07 maio 2012

vive la france! vive la republique universal!




a esperança 

abriu-se em flor 

em frança


e em nós


no rosto 

e no peito deste povo

vogam velas

com rumo novo




poderá a bastilha ser o novo rastilho

?




nas ruas de paris, páscoa 2012

sentiamos os ventos 

e a vontade 

de mudança










as palavras

igualdade

solidariedade

fraternidade

são mais fáceis

de dizer

que fazer




o tempo dirá...



a esperança 

 é um dia novo


e

habita 

o coração do povo















24 abril 2012

que fizemos ao sonho





que fizemos ao sonho
liberto
na madrugada

 aos sorrisos abertos

às noites
e à claridade dos dias
despertos

o que resta
da alvorada
do dia novo

pouco
quase nada

 apenas
uma réstea de esperança
subsiste

um quase nada
que em nós carregamos


esperança
da cor da coragem

coragem desassombrada
 alimento e mágoa
sede e água
poema do instante original

aquele
que em galope
 nos irrompeu
vida fora

como se o nosso olhar
e ser
assim nascera
e sempre fôra

 instante
que nos vai acompanhar
 até ao fim do tempo

este foi
o momento

a um tempo
todos fomos um
e
uno
 foi
portugal

rc


revolução
poema de sophia de mello breyner andresen

esta é a madrugada
que eu esperava
o dia inicial
inteiro e limpo

onde emergimos da noite 
e do silêncio

e livres
habitamos 
substância do tempo

sophia de mello breyner andresen

18 abril 2012

Imensidão no Silêncio





Rasgar a luz até ao infinito
Ir além de cada nevoeiro
Trepar a dor constante
Atravessar o grito
Na persistência de cada criador
Erguer-se em deus senhor.
Libertar em cada Prometeu
A luz dele mesmo ignorada
Desafiar os deuses que se calam
Diante da Humanidade abandonada.
Arremessar o gesto libertário
Para além de todas as fronteiras
No movimento contrário
Ás leis malquistas financeiras.
Dilacerar espelhos falsários
Uivar esta dor que trago em mim
De tantos aniversários
De funesto festim
O silêncio é a música da festa
da sinistra noitada
os poetas vão escorrendo versos
mas são palavras soltas
não servem a mais nada
Não erguem corações a palpitar
como estrelas furando a imensidão
atravessam o tempo o espaço o mar
sem chegarem a ser pão
o pão que se reparte
um pão que seja natural
como é a poesia e a Arte.
E nem Apolo acode, nem as Musas
Hipocrene secou
E do sangue de todas as medusas
um ser de pedra e pó nos povoou.
Trazemos no rosto um olhar cego
Uma boca sem voz
E assistimos no maior sossego
Ao sacrifício de cada um de nós.
E esta dor que cresce e que me rasga
Contrária à indiferença
É feita do espanto acumulado
Do absurdo da letal presença.
Um mundo repleto do fantasma
Como se transparente
Não fosse mais que o plasma
Da lei inexistente...

Aonde o ser humano que esfacela
A história que velhinha
Extravasa da estrela que revela
A estrada onde caminha!

Marília Gonçalves




30 março 2012

gente do sul




hoje
o vento sopra
do sul

com ele chegam brados
cantados

as nuvens andam no ar
arrastadas pelo vento
foram buscar água ao mar
pra regar em todo o tempo

este vento
não é o suão

quente
fornalha
de verão

este vento
sopra
no pensamento

baloiça
nas altas
esguias
árvores
 magoadas

sem folhas

vazias

o vento
que sopra do sul
não consegue calar
o tempo


nas altas
esguias
magoadas
árvores
de folhas
vazias
pousam
vozes

como aves

falas antigas
 suaves

contam histórias de fadigas

falam de gente

gente chegando
do sul

de passo lento
cadente
cantado
às vezes contente

gente que chegou
sem nada

gente
só com braços de gente


gente

deixou a planície
com a claridade no olhar
com a cidade na mente

esta gente
veio
e fez-se à cidade

fez-se ao barreiro

esta gente
 rima
com saudade


rio de gente
mar de gente 
gente na margem
sul
do tempo

gente do sul
gente do vento
gente que se sente
 ser boa-gente

gente boa
partiu pra lisboa

e com a sua voz dolente
canta

uma saudade de quem  se sente
ausente
do seu chão
da sua gente


gente que tem na alma
a calma

e o vento
que sempre sopra do sul
urgente

do sul

21 março 2012

greve geral 22 março 2012





é quase meia-noite

e eu vou entrar em greve 





no dia da poesia e dos poetas




o poema original

original é o poeta
que se origina a si mesmo
que numa sílaba é seta
noutra pasmo ou cataclismo
o que se atira ao poema 
como se fosse ao abismo
e faz um filho às palavras
na cama do romantismo.
original é o poeta
capaz de escrever um sismo.

original é o poeta
de origem clara e comum
que sendo de toda a parte
não é de lugar algum.

o que gera a própria arte
na força de ser só um
por todos a quem a sorte
faz devorar em jejum.
original é o poeta 
que de todos for só um.

original é o poeta
expulso do paraíso
por saber compreender 
o que é choro e o riso;
aquele que desce à rua
bebe copos quebra nozes
e ferra em quem tem juízo
versos brancos e ferozes.
original é o poeta 
que é gato de sete vozes.

original é o poeta
que chega ao despudor
de escrever todos os dias
como se fizesse amor

esse que despe a poesia
como se fosse mulher 
e nela emprenha a legria
de ser um homem qualquer.

ary dos santos

um dos poetas da minha vida











03 março 2012

liberdade








canta a cotovia

o melro assobia

anunciando o fim do dia

eu

em gaiola de palavras

faço das  grades

asas

23 fevereiro 2012

por trás daquela janela







 música e letra de zeca afonso, dedicada a alfredo matos, preso político na cadeia do aljube

por trás daquela janela
faz anos o meu amigo e irmão

não pôs cravos na lapela
por trás daquela janela
nem se ouve nenhuma estrela
por trás daquele portão

se aquela parede andasse
eu não sei o que faria  não sei

se a minha faca cortasse
se aquela parede andasse
e grito enorme se ouvisse
duma criança ao nascer

talvez o tempo corresse
e a tua voz me ajudasse  a cantar

mais dura a pedra moleira
e a fé, tua companheira
mais pode a flecha certeira
e os rios que vão pró mar

por trás daquela janela
faz anos o meu amigo  e irmão

Na noite que segue o dia
o meu amigo lá dorme  de pé

e o seu perfil anuncia
naquela parede fria
uma canção de alegria
no vai e vem da maré

por trás daquela janela
faz anos o meu amigo  e irmão

não pôs cravos na lapela
por trás daquela janela
nem se ouve nenhuma estrela
por trás daquele portão



07 fevereiro 2012

corja





neste país vive a corja, 
que a tudo se permite

 para a corja não há limite

no país da corja 
manda a corja
a sua lei prevalece 
a grei obediente, obedece

até quando?


no país da corja rouba-se tudo
roubam-se direitos
o  trabalho
os salários
férias e feriados
reformas e ordenados

rouba-se a democracia
a liberdade
 a independência
 a soberania

a saúde
a esperança e o porvir
até a alegria de sorrir


 há quem diga que até já roubaram 
a dignidade

e em seu lugar deixaram 
uma esperança vazia
sementes de melancolia

erva rasteira
que gera incapacidade 
de reagir
e resistir

nesse nada 
onde até a utopia fenece
 a corja, bruta, floresce

a corja, ah! se pudesse!  
vingava-se

do vermelho, 
da revolução,
dos cravos e das lutas,
dos capitães e dos poetas,
das palavras, 
e das vozes libertas

mas neste país, 

que não pertence à corja

há um povo 
que só é escravo 
se quiser

porque em cada manhã que desperta

há um dia novo

e uma revolução por fazer


04 fevereiro 2012

minha terra, de florbela espanca










ó minha terra na planície rasa,
branca de sol e cal e de luar,
minha terra que nunca viu o mar
onde tenho o meu pão e a minha casa...


minha terra de tardes sem uma aza
sem um bater de folha... a dormitar...
meu anel de rubis a flamejar,
minha terra mourisca a arder em brasa!

minha terra onde meu irmão nasceu...
aonde a mãe que eu tive e que morreu,
foi moça e loira, amou e foi amada...

truz...truz...truz... eu não tenho onde me acoite,
sou um pobre de longe, é quasi noite...
terra, quero dormir...dá-me pousada!



soneto de florbela espanca, manuscrito de que vi uma cópia,
não sei se editado, dedicado a um seu amigo do barreiro

24 janeiro 2012

"este tempo"







a rdp, serviço público estatal de informação radiofónica terminou com a crónica este tempo  


dos jornalistas 

pedro rosa mendes, raquel freire, pedro granado, gonçalo cadilhe e rita matos


estamos em portugal, em janeiro de 2012 !


"este tempo" era um espaço de crítica ao sistema político, ao actual governo, ao capitalismo, à corrupção que 

grassa por todo o lado

às ligações perigosas deste governo

e ao polvo que envolve portugal com mil tentáculos


este é o "novo" tempo que vivemos


qual estado "novo"


maldito


tempo de censura


tempo que querem de regresso ao passado



é um tempo que recusamos!



não o queremos mais!


16 janeiro 2012

as reformas deles







Assunção Esteves, a actual Presidente da Assembleia da República reformou-se aos 42 anos, com a pensão mensal (14 vezes ano) de € 2.315,51. (Diário da República de 30/07/1998). Além disso a Senhora Assunção Esteves recebe mais de vencimento mensal (14 vezes anos) € 5.799,05 e de ajudas de custas mensal (14 vezes ano) € 2.370,07. Aufere, portanto, a quantia anual de € 146.784,82. Ou seja, recebe do erário público, a remuneração média mensal de € 12.232,07 (Doze mil, duzentos e trinta e dois euros, sete cêntimos). Relembramos que também tem direito a uma viatura oficial  BMW a tempo inteiro!
 ENTÃO??????.......
Se continua a trabalhar, está a receber reforma por quê???  
Sempre a pedirem sacrifícios e eles a receberem reformas, salários, subvenções vitalícias, etc.  
Como é que isto algum dia irá para a frente, se eles quando fazem as leis é para zelarem pelos seus interesses.
Um cidadão “normal” tem de trabalhar 40 anos (ou  mais) e só tem direito a uma pequena reforma, porque é que eles, ao fim de oito anos de serviço, já têm direito a reformas gordas?
Porque é que o governo não corta aqui? 
mas não!!! corta é nos nossos subsídios e eles continuam a fazer as suas vidinhas de nababos.
Tiveram 10 dias de férias de Natal e cortam os subsídios dos outros!!!
É preciso que se saiba!!!
Basta de nos tratarem como atrasados mentais....divulguem ao maior número de pessoas que possam.
Foi assim que conseguimos que três ministros abdicassem dos seus subsídios de deslocação, quando (vergonha das vergonhas) têm casa em Lisboa.


texto recebido por e-mail


estas são as reformas deles. 


eu já trabalho há 40 anos e não sei se vou ter reforma alguma vez!...


é que eles comem tudo


e não deixam nada!

10 janeiro 2012

anoitecer





é sempre bela

e única

a luz do anoitecer


seja em alqueva,




monsaraz,





alcochete,





no cabo espichel,





na bela arrábida,






 nos confins

do alentejo

em lucefecit,






no barreiro,




ou num outro sítio 

qualquer



03 janeiro 2012

Golpes de Estado na Grécia e na Itália







Golpe de Estado:  tomada inesperada do poder governamental pela força e sem a participação do povo. (Dicionário Houaiss)




A banca no poder, ou o poder da banca.


As substituições de Georges Papandreou por Lucas Papademos e de Berlusconi por Mario Monti foram na realidade dois golpes de estado de um um novo género, sem tiros, sem sangue, orquestrados pelos mercados financeiros.


O método é simples: criar uma enorme pressão sobre as taxas de juros das dívidas dos países visados, o que desencadeia uma enorme instabilidade política e por fim, apresentar um tecnocrata para tomar conta dos destinos do país.


Estes golpes de estado não são perpetrados por um grupo político ou pelas forças armadas. As mudanças de chefias políticas são apresentadas como uma necessidade em consequência da engrenagem da desconfiança dos mercados sobre a capacidade de certos países em pagas as dívidas.


Ultrapassando as instâncias democráticas dos respectivos países, são então instalados no poder pessoas ligadas aos grandes grupos financeiros mundiais. Mario Monti está ligado ao Goldman Sachs, assim como Mario Draghi recentemente eleito presidente do Banco Central Europeu. Lucas Papademos foi governador do Banco da Grécia durante a falsificação da dívida grega pelo Golman Sachs. Todos são membros da Comissão Trilateral ou do clube de Bilderberg.


Actualmente, os lugares-chave do poder na Europa estão nas mãos do Goldman Sachs. Como chegaram a esses cargos? Com que meios e com que fim? Salvar os Estados Unidos à custa dos europeus?



E Portugal?


Em Portugal, daqui por umas semanas ou meses, pode muito bem vir a acontecer o mesmo. Perante a fraca liderança de Passos Coelho e a fraca alternativa política de António José Seguro, e com o crescente agravamento da crise financeira portuguesa, pode vir a ser imposto a Portugal um homem de confiança da banca.


Esse homem poderá ser António Borges. Tem todos os requisitos: para além de ter sido vice-governador do Banco de Portugal, é actualmente director do Departamento Europeu do Fundo Monetário Internacional e sobretudo foi vice-presidente do Conselho de Administração do Banco Goldman Sachs International em Londres, entre 2000 e 2008.

António Borges é membro do clube de Bilderberg, tendo participado nas reuniões de 1997 e de 2002. Também é membro da Comissão Trilateral.


Curiosamente, ou não, decorre neste momento, de 11 a 13 de novembro, a reunião anual da Trilateral para Zona Europeia, é Haia na Holanda.




15 dezembro 2011

olivais velhos de moura


olivais velhos de moura

velhas oliveiras que alumiaram moura

com mil candeias


oliveiras de paz

árvores de luz

encontrei-vos

na poesia de um pátio andaluz


pelos olivais

que cercam moura

salúquia

ainda vagueia


e o seu olhar

doce como o azeite

é o de tantas
mouras

de negros olhos

como a negra noite


noites e noites a fio


em desafio

ou deleite

assomadas

em seu castelo

das ameias soltam sonhos

feitos estrelas


que brilham no céu

tão imenso

ou tão belo

como elas


e quando raiam as madrugadas

ei-las

que sem pressas

abalam


embaladas

num apelo


e não sei se elas

ou eu