07 maio 2012

vive la france! vive la republique universal!




a esperança 

abriu-se em flor 

em frança


e em nós


no rosto 

e no peito deste povo

vogam velas

com rumo novo




poderá a bastilha ser o novo rastilho

?




nas ruas de paris, páscoa 2012

sentiamos os ventos 

e a vontade 

de mudança










as palavras

igualdade

solidariedade

fraternidade

são mais fáceis

de dizer

que fazer




o tempo dirá...



a esperança 

 é um dia novo


e

habita 

o coração do povo















24 abril 2012

que fizemos ao sonho





que fizemos ao sonho
liberto
na madrugada

 aos sorrisos abertos

às noites
e à claridade dos dias
despertos

o que resta
da alvorada
do dia novo

pouco
quase nada

 apenas
uma réstea de esperança
subsiste

um quase nada
que em nós carregamos


esperança
da cor da coragem

coragem desassombrada
 alimento e mágoa
sede e água
poema do instante original

aquele
que em galope
 nos irrompeu
vida fora

como se o nosso olhar
e ser
assim nascera
e sempre fôra

 instante
que nos vai acompanhar
 até ao fim do tempo

este foi
o momento

a um tempo
todos fomos um
e
uno
 foi
portugal

rc


revolução
poema de sophia de mello breyner andresen

esta é a madrugada
que eu esperava
o dia inicial
inteiro e limpo

onde emergimos da noite 
e do silêncio

e livres
habitamos 
substância do tempo

sophia de mello breyner andresen

18 abril 2012

Imensidão no Silêncio





Rasgar a luz até ao infinito
Ir além de cada nevoeiro
Trepar a dor constante
Atravessar o grito
Na persistência de cada criador
Erguer-se em deus senhor.
Libertar em cada Prometeu
A luz dele mesmo ignorada
Desafiar os deuses que se calam
Diante da Humanidade abandonada.
Arremessar o gesto libertário
Para além de todas as fronteiras
No movimento contrário
Ás leis malquistas financeiras.
Dilacerar espelhos falsários
Uivar esta dor que trago em mim
De tantos aniversários
De funesto festim
O silêncio é a música da festa
da sinistra noitada
os poetas vão escorrendo versos
mas são palavras soltas
não servem a mais nada
Não erguem corações a palpitar
como estrelas furando a imensidão
atravessam o tempo o espaço o mar
sem chegarem a ser pão
o pão que se reparte
um pão que seja natural
como é a poesia e a Arte.
E nem Apolo acode, nem as Musas
Hipocrene secou
E do sangue de todas as medusas
um ser de pedra e pó nos povoou.
Trazemos no rosto um olhar cego
Uma boca sem voz
E assistimos no maior sossego
Ao sacrifício de cada um de nós.
E esta dor que cresce e que me rasga
Contrária à indiferença
É feita do espanto acumulado
Do absurdo da letal presença.
Um mundo repleto do fantasma
Como se transparente
Não fosse mais que o plasma
Da lei inexistente...

Aonde o ser humano que esfacela
A história que velhinha
Extravasa da estrela que revela
A estrada onde caminha!

Marília Gonçalves




30 março 2012

gente do sul




hoje
o vento sopra
do sul

com ele chegam brados
cantados

as nuvens andam no ar
arrastadas pelo vento
foram buscar água ao mar
pra regar em todo o tempo

este vento
não é o suão

quente
fornalha
de verão

este vento
sopra
no pensamento

baloiça
nas altas
esguias
árvores
 magoadas

sem folhas

vazias

o vento
que sopra do sul
não consegue calar
o tempo


nas altas
esguias
magoadas
árvores
de folhas
vazias
pousam
vozes

como aves

falas antigas
 suaves

contam histórias de fadigas

falam de gente

gente chegando
do sul

de passo lento
cadente
cantado
às vezes contente

gente que chegou
sem nada

gente
só com braços de gente


gente

deixou a planície
com a claridade no olhar
com a cidade na mente

esta gente
veio
e fez-se à cidade

fez-se ao barreiro

esta gente
 rima
com saudade


rio de gente
mar de gente 
gente na margem
sul
do tempo

gente do sul
gente do vento
gente que se sente
 ser boa-gente

gente boa
partiu pra lisboa

e com a sua voz dolente
canta

uma saudade de quem  se sente
ausente
do seu chão
da sua gente


gente que tem na alma
a calma

e o vento
que sempre sopra do sul
urgente

do sul

21 março 2012

greve geral 22 março 2012





é quase meia-noite

e eu vou entrar em greve 





no dia da poesia e dos poetas




o poema original

original é o poeta
que se origina a si mesmo
que numa sílaba é seta
noutra pasmo ou cataclismo
o que se atira ao poema 
como se fosse ao abismo
e faz um filho às palavras
na cama do romantismo.
original é o poeta
capaz de escrever um sismo.

original é o poeta
de origem clara e comum
que sendo de toda a parte
não é de lugar algum.

o que gera a própria arte
na força de ser só um
por todos a quem a sorte
faz devorar em jejum.
original é o poeta 
que de todos for só um.

original é o poeta
expulso do paraíso
por saber compreender 
o que é choro e o riso;
aquele que desce à rua
bebe copos quebra nozes
e ferra em quem tem juízo
versos brancos e ferozes.
original é o poeta 
que é gato de sete vozes.

original é o poeta
que chega ao despudor
de escrever todos os dias
como se fizesse amor

esse que despe a poesia
como se fosse mulher 
e nela emprenha a legria
de ser um homem qualquer.

ary dos santos

um dos poetas da minha vida











03 março 2012

liberdade








canta a cotovia

o melro assobia

anunciando o fim do dia

eu

em gaiola de palavras

faço das  grades

asas

23 fevereiro 2012

por trás daquela janela







 música e letra de zeca afonso, dedicada a alfredo matos, preso político na cadeia do aljube

por trás daquela janela
faz anos o meu amigo e irmão

não pôs cravos na lapela
por trás daquela janela
nem se ouve nenhuma estrela
por trás daquele portão

se aquela parede andasse
eu não sei o que faria  não sei

se a minha faca cortasse
se aquela parede andasse
e grito enorme se ouvisse
duma criança ao nascer

talvez o tempo corresse
e a tua voz me ajudasse  a cantar

mais dura a pedra moleira
e a fé, tua companheira
mais pode a flecha certeira
e os rios que vão pró mar

por trás daquela janela
faz anos o meu amigo  e irmão

Na noite que segue o dia
o meu amigo lá dorme  de pé

e o seu perfil anuncia
naquela parede fria
uma canção de alegria
no vai e vem da maré

por trás daquela janela
faz anos o meu amigo  e irmão

não pôs cravos na lapela
por trás daquela janela
nem se ouve nenhuma estrela
por trás daquele portão



07 fevereiro 2012

corja





neste país vive a corja, 
que a tudo se permite

 para a corja não há limite

no país da corja 
manda a corja
a sua lei prevalece 
a grei obediente, obedece

até quando?


no país da corja rouba-se tudo
roubam-se direitos
o  trabalho
os salários
férias e feriados
reformas e ordenados

rouba-se a democracia
a liberdade
 a independência
 a soberania

a saúde
a esperança e o porvir
até a alegria de sorrir


 há quem diga que até já roubaram 
a dignidade

e em seu lugar deixaram 
uma esperança vazia
sementes de melancolia

erva rasteira
que gera incapacidade 
de reagir
e resistir

nesse nada 
onde até a utopia fenece
 a corja, bruta, floresce

a corja, ah! se pudesse!  
vingava-se

do vermelho, 
da revolução,
dos cravos e das lutas,
dos capitães e dos poetas,
das palavras, 
e das vozes libertas

mas neste país, 

que não pertence à corja

há um povo 
que só é escravo 
se quiser

porque em cada manhã que desperta

há um dia novo

e uma revolução por fazer


04 fevereiro 2012

minha terra, de florbela espanca










ó minha terra na planície rasa,
branca de sol e cal e de luar,
minha terra que nunca viu o mar
onde tenho o meu pão e a minha casa...


minha terra de tardes sem uma aza
sem um bater de folha... a dormitar...
meu anel de rubis a flamejar,
minha terra mourisca a arder em brasa!

minha terra onde meu irmão nasceu...
aonde a mãe que eu tive e que morreu,
foi moça e loira, amou e foi amada...

truz...truz...truz... eu não tenho onde me acoite,
sou um pobre de longe, é quasi noite...
terra, quero dormir...dá-me pousada!



soneto de florbela espanca, manuscrito de que vi uma cópia,
não sei se editado, dedicado a um seu amigo do barreiro

24 janeiro 2012

"este tempo"







a rdp, serviço público estatal de informação radiofónica terminou com a crónica este tempo  


dos jornalistas 

pedro rosa mendes, raquel freire, pedro granado, gonçalo cadilhe e rita matos


estamos em portugal, em janeiro de 2012 !


"este tempo" era um espaço de crítica ao sistema político, ao actual governo, ao capitalismo, à corrupção que 

grassa por todo o lado

às ligações perigosas deste governo

e ao polvo que envolve portugal com mil tentáculos


este é o "novo" tempo que vivemos


qual estado "novo"


maldito


tempo de censura


tempo que querem de regresso ao passado



é um tempo que recusamos!



não o queremos mais!


16 janeiro 2012

as reformas deles







Assunção Esteves, a actual Presidente da Assembleia da República reformou-se aos 42 anos, com a pensão mensal (14 vezes ano) de € 2.315,51. (Diário da República de 30/07/1998). Além disso a Senhora Assunção Esteves recebe mais de vencimento mensal (14 vezes anos) € 5.799,05 e de ajudas de custas mensal (14 vezes ano) € 2.370,07. Aufere, portanto, a quantia anual de € 146.784,82. Ou seja, recebe do erário público, a remuneração média mensal de € 12.232,07 (Doze mil, duzentos e trinta e dois euros, sete cêntimos). Relembramos que também tem direito a uma viatura oficial  BMW a tempo inteiro!
 ENTÃO??????.......
Se continua a trabalhar, está a receber reforma por quê???  
Sempre a pedirem sacrifícios e eles a receberem reformas, salários, subvenções vitalícias, etc.  
Como é que isto algum dia irá para a frente, se eles quando fazem as leis é para zelarem pelos seus interesses.
Um cidadão “normal” tem de trabalhar 40 anos (ou  mais) e só tem direito a uma pequena reforma, porque é que eles, ao fim de oito anos de serviço, já têm direito a reformas gordas?
Porque é que o governo não corta aqui? 
mas não!!! corta é nos nossos subsídios e eles continuam a fazer as suas vidinhas de nababos.
Tiveram 10 dias de férias de Natal e cortam os subsídios dos outros!!!
É preciso que se saiba!!!
Basta de nos tratarem como atrasados mentais....divulguem ao maior número de pessoas que possam.
Foi assim que conseguimos que três ministros abdicassem dos seus subsídios de deslocação, quando (vergonha das vergonhas) têm casa em Lisboa.


texto recebido por e-mail


estas são as reformas deles. 


eu já trabalho há 40 anos e não sei se vou ter reforma alguma vez!...


é que eles comem tudo


e não deixam nada!

10 janeiro 2012

anoitecer





é sempre bela

e única

a luz do anoitecer


seja em alqueva,




monsaraz,





alcochete,





no cabo espichel,





na bela arrábida,






 nos confins

do alentejo

em lucefecit,






no barreiro,




ou num outro sítio 

qualquer



03 janeiro 2012

Golpes de Estado na Grécia e na Itália







Golpe de Estado:  tomada inesperada do poder governamental pela força e sem a participação do povo. (Dicionário Houaiss)




A banca no poder, ou o poder da banca.


As substituições de Georges Papandreou por Lucas Papademos e de Berlusconi por Mario Monti foram na realidade dois golpes de estado de um um novo género, sem tiros, sem sangue, orquestrados pelos mercados financeiros.


O método é simples: criar uma enorme pressão sobre as taxas de juros das dívidas dos países visados, o que desencadeia uma enorme instabilidade política e por fim, apresentar um tecnocrata para tomar conta dos destinos do país.


Estes golpes de estado não são perpetrados por um grupo político ou pelas forças armadas. As mudanças de chefias políticas são apresentadas como uma necessidade em consequência da engrenagem da desconfiança dos mercados sobre a capacidade de certos países em pagas as dívidas.


Ultrapassando as instâncias democráticas dos respectivos países, são então instalados no poder pessoas ligadas aos grandes grupos financeiros mundiais. Mario Monti está ligado ao Goldman Sachs, assim como Mario Draghi recentemente eleito presidente do Banco Central Europeu. Lucas Papademos foi governador do Banco da Grécia durante a falsificação da dívida grega pelo Golman Sachs. Todos são membros da Comissão Trilateral ou do clube de Bilderberg.


Actualmente, os lugares-chave do poder na Europa estão nas mãos do Goldman Sachs. Como chegaram a esses cargos? Com que meios e com que fim? Salvar os Estados Unidos à custa dos europeus?



E Portugal?


Em Portugal, daqui por umas semanas ou meses, pode muito bem vir a acontecer o mesmo. Perante a fraca liderança de Passos Coelho e a fraca alternativa política de António José Seguro, e com o crescente agravamento da crise financeira portuguesa, pode vir a ser imposto a Portugal um homem de confiança da banca.


Esse homem poderá ser António Borges. Tem todos os requisitos: para além de ter sido vice-governador do Banco de Portugal, é actualmente director do Departamento Europeu do Fundo Monetário Internacional e sobretudo foi vice-presidente do Conselho de Administração do Banco Goldman Sachs International em Londres, entre 2000 e 2008.

António Borges é membro do clube de Bilderberg, tendo participado nas reuniões de 1997 e de 2002. Também é membro da Comissão Trilateral.


Curiosamente, ou não, decorre neste momento, de 11 a 13 de novembro, a reunião anual da Trilateral para Zona Europeia, é Haia na Holanda.




15 dezembro 2011

olivais velhos de moura


olivais velhos de moura

velhas oliveiras que alumiaram moura

com mil candeias


oliveiras de paz

árvores de luz

encontrei-vos

na poesia de um pátio andaluz


pelos olivais

que cercam moura

salúquia

ainda vagueia


e o seu olhar

doce como o azeite

é o de tantas
mouras

de negros olhos

como a negra noite


noites e noites a fio


em desafio

ou deleite

assomadas

em seu castelo

das ameias soltam sonhos

feitos estrelas


que brilham no céu

tão imenso

ou tão belo

como elas


e quando raiam as madrugadas

ei-las

que sem pressas

abalam


embaladas

num apelo


e não sei se elas

ou eu

07 dezembro 2011

josé régio, soneto (quase) inédito








Surge Janeiro frio e pardacento,
Descem da serra os lobos ao povoado;
Assentam-se os fantoches em São Bento
E o Decreto da fome é publicado.

Edita-se a novela do Orçamento;
Cresce a miséria ao povo amordaçado;
Mas os biltres do novo parlamento
Usufruem seis contos de ordenado.

E enquanto à fome o povo se estiola,
Certo santo pupilo de Loyola,
Mistura de judeu e de vilão,

Também faz o pequeno “sacrifício”
De trinta contos – só! – por seu ofício
Receber, a bem dele... e da nação.



soneto de José Régio, 1969


03 dezembro 2011

finisterra


  fim de tarde

de um tempo qualquer


 finos véus

leves
suaves

quase

ocultam a cidade

desvenda-se o rio

em largo oceano

no olhar que se perde

quase melancolia

quase saudade



a  noite

 vem chegando

adejando

nas asas de uma gaivota


perde-se o dia

e em sombras e luz

a noite erra

aqui

onde estou

(apenas eu sei)

é finisterra

23 novembro 2011

eu faço greve contra este fascismo disfarçado de crise





no dia 24 eu faço greve geral

contra os roubos dos salários e das pensões


faço greve contra a miséria,
o empobrecimento, o desemprego e o roubo dos direitos

faço greve pela minha geração

faço greve pela memória dos meus pais

faço greve pela minha filha e por tantos mais 
jovens
forçados a deixar o seu, e o meu país

faço greve

para que não nos roubem o que abril nos deu

faço greve geral

pelo futuro de portugal


eu faço greve contra este fascismo

disfarçado de crise







17 novembro 2011

carta de um grego a um alemão

cartaz americano de apoio à grécia durante a II guerra mundial (imagem do blog http://aventar.eu/)



Estimado Walter,


Passou mais de meio século desde que a 2ª Guerra Mundial terminou. QUER DIZER MAIS DE 50 ANOS desde a época em que a Alemanha deveria ter saldado as suas obrigações para com a Grécia.

Estas dívidas, QUE SÓ A ALEMANHA até agora resiste a saldar com a Grécia (Bulgária e Roménia cumpriram, ao pagar as indemnizações estipuladas), e que consistem em:

1. Uma dívida de 80 milhões de marcos alemães por indemnizações, que ficou por pagar da 1ª Guerra Mundial;

2. Dívidas por diferenças de clearing, no período entre-guerras, que ascendem hoje a 593.873.000 dólares EUA.

3. Os empréstimos em obrigações que contraíu o III Reich em nome da Grécia, na ocupação alemã, que ascendem a 3,5 mil milhões de dólares durante todo o período de ocupação.

4. As reparações que deve a Alemanha à Grécia, pelas confiscações, perseguições, execuções e destruições de povoações inteiras, estradas, pontes, linhas férreas, portos, produto do III Reich, e que, segundo o determinado pelos tribunais aliados, ascende a 7,1 mil milhões de dólares, dos quais a Grécia não viu sequer uma nota.

5. As imensuráveis reparações da Alemanha pela morte de 1.125.960 gregos (38,960 executados, 12 mil mortos como dano colateral, 70 mil mortos em combate, 105 mil mortos em campos de concentração na Alemanha, 600 mil mortos de fome, etc., etc.).

6. A tremenda e imensurável ofensa moral provocada ao povo grego e aos ideais humanísticos da cultura grega.

Amigo Walter, sei que não te deve agradar nada o que escrevo. Lamento-o.

Mas mais me magoa o que a Alemanha quer fazer comigo e com os meus compatriotas.

Amigo Walter: na Grécia laboram 130 empresas alemãs, entre as quais se incluem todos os colossos da indústria do teu País, as quais têm lucros anuais de 6,5 mil milhões de euros. Muito em breve, se as coisas continuarem assim, não poderei comprar mais produtos alemães porque cada vez tenho menos dinheiro. Eu e os meus compatriotas crescemos sempre com privações, vamos aguentar, não tenhas problema. Podemos viver sem BMW, sem Mercedes, sem Opel, sem Skoda. Deixaremos de comprar produtos do Lidl, do Praktiker, da IKEA.

Mas vocês, Walter, como se vão arranjar com os desempregados que esta situação criará, que por aí vos vai obrigar a baixar o seu nível de vida, perder os seus carros de luxo, as suas férias no estrangeiro, as suas excursões sexuais à Tailândia?

Vocês (alemães, suecos, holandeses, e restantes “compatriotas” da Eurozona) pretendem que saíamos da Europa, da Eurozona e não sei mais de onde.

Creio firmemente que devemos fazê-lo, para nos salvarmos de uma União que é um bando de especuladores financeiros, uma equipa em que só jogamos se consumirmos os produtos que vocês oferecem: empréstimos, bens industriais, bens de consumo, obras faraónicas, etc.

E, finalmente, Walter, devemos “acertar” um outro ponto importante, já que vocês também são devedores da Grécia:

EXIGIMOS QUE NOS DEVOLVAM A CIVILIZAÇÃO QUE NOS ROUBARAM!!!

Queremos de volta à Grécia as imortais obras dos nosos antepassados, que estão guardadas nos museus de Berlim, de Munique, de Paris, de Roma e de Londres.

E EXIJO QUE SEJA AGORA!! Já que posso morrer de fome, quero morrer ao lado das obras dos meus antepassados.



Cordialmente,

Georgios Psomás

03 novembro 2011

a esperança existe a utopia está de volta



manifestantes ocupam a zona portuária em oakland, u.s.a.


neste tempo

de globalidades feito

- imperialismo, diria marx -

que domina o mundo

e explora quem trabalha

sem dó nem piedade

o "sistema perfeito"

está em causa

é questionado

julgado

e condenado

pela humanidade


a indignação é global

atravessa o mundo

perpassa o sistema capitalista

financeiro e global


a luta de classes, afinal...

existe!!!


 a esperança está em marcha

em revolta

e resiste

e renasce

em pequenos e grandes nadas

e faz-se

aqui

ali

na grécia

em espanha


e até na américa


enfim a humanidade  desperta

a utopia está de volta

09 outubro 2011

o país apodrece





neste fim de tarde
o outono arde
e o país apodrece

como as folhas que cobrem  a calçada
nesta tarde abafada

envolto na neblina que o escurece
o país apodrece

o país apodrece
com filas à porta da segurança social
na rua do instituto do sul e sueste

o país apodrece em campos abandonados
 aldeias vazias
cidades grandes
de homens e mulheres desempregados

o país apodrece
no veneno manso da resignação

o país apodrece
 com medo de uma revolução

o país apodrece nos bancos gordos
na economia que falece

o país apodrece
em corrupção
bandidos
assassinos
ladrões
vadios
comeram-lhe o coração


o país apodrece
e empobrece

o país é um odre
inchando
 de paz podre

o país apodrece
e não sabe
e não sente
e não parece

27 setembro 2011

outubro mês de lutas





porque não vamos cruzar os braços

em outubro

vamos lutar

contra as injustiças



contra esta política

e estes políticos

que fazem tudo para nos pôr de rastos


no sábado lá estaremos

como sempre








05 setembro 2011

retratos de portugal



monte da capela, pias, baixo alentejo, 2011


cada vez mais actual o texto de saramago


Privado

«Privatize-se tudo, privatize-se o mar e o céu, privatize-se a água e

o ar, privatize-se a justiça e a lei, privatize-se a nuvem que passa,

privatize-se o sonho, sobretudo se for diurno e de olhos abertos. E

finalmente, para florão e remate de tanto privatizar, privatizem-se os

Estados, entregue-se por uma vez a exploração deles a empresas

privadas, mediante concurso internacional. Aí se encontra a salvação

do mundo... e, já agora, privatize-se também a puta que os pariu a todos.»


José Saramago - Cadernos de Lanzarote - Diário III - pag. 148

20 julho 2011

manhã quase




na manhã quente

o cheiro da palha

quase se toca

e sente

entra pelas narinas


não é o restolho

as hastes 

de  sementes

é apenas erva
seca


a seara

  ausente

     faz ondular a campina


na manhã quente

quase a empurrar a porta

a entrar na casa

escura


quase

a sentir 

as paredes caiadas

a exalar frescura

o salitre
 
a desfazer-se

numa  lembrança

quase morta


se abrisse a porta

 fechada

sentia

a casa vazia

lá dentro o nada


mas fico à entrada


busco na parede anilada

a luz que ilumina o dia


o presságio voa

na brisa

quase me arrepia


poema a partir da leitura do livro de josé luis peixoto uma casa na escuridão