17 maio 2011

o tempo, a taipa e as vozes do silêncio



hoje parei o tempo

abri a porta

entrei lá dentro


e vi

sentadas

em cadeiras de buinho

a

solidão

e as vozes

do silêncio

em segredo

escutando

palavras inventadas


falando

da alma

e

do tempo

e de como nos escava

cá dentro


quando à tarde

na curva do caminho

a saudade assoma

em passo lento


no tempo deste caminho

houve um tempo

em que a taipa foi terra

e depois paredes

e agora nada


 um dia

talvez,

as paredes de taipa

voltem

a ser

terra lavrada

30 abril 2011

nas ondas verdes do campo



ocupação de terras na herdade dos machados, moura, 1975




nas ondas verdes do campo

no vento que sopra

leve

bailando

nas abas das azinheiras

espalhando

o  perfume dos favais


sonho

com cantos alegres


vozes 

de mondadeiras

como papoilas

vermelhas

pelos campos

ondulando

no

verde

dos

trigais

22 abril 2011

revolução







lembrar abril

a revolução 

 os cravos

e

a

libertação

defender abril

guardá-lo no coração


defendê-lo

dos que

de novo

nos querem escravos

18 abril 2011

a europa, portugal, fernando pessoa e a crise







a eurpoa jaz, posta nos cotovelos
de oriente, a ocidente jaz, fitando
e toldam-lhe românticos cabelos
olhos gregos, lembrando.

[...]

fita com olhar s'fingico e fatal
o ocidente, futuro do passado

o rosto com que fita é portugal


fernado pessoa
"o dos castelos"
mensagem


nunca as palavras do poeta me pareceram vir tão a propósito

portugal adormecido
espera
passivo

enquanto outros
traçam o seu destino




03 abril 2011

campos verdes de angústia





verdes são os campos

verdes de angústia são

campos
e
campos

incultos

sem pão

ninguém semeia

sequer

 um grão

nos campos 

 espargos selvagens

a crescer

 nos barrancos

agriões

e não há mãos
para os colher
ninguém para lavrar
estas varjens
de pão


alentejo
abandonado
ao deus-dará



aldeias vazias
de novos
e velhos

não se fala em produção

não consta

nos programas de governo

só campos de solidão


montes 
caídos

campos
e campos
e nada é produzido


vales

cabeços

chapadas

de estevas em flor

e que belas são

desfraldadas
bandeiras
de paz

mas a reforma agrária
a falta que faz


e no meio de nada

fazem-se estradas

pontes e cruzamentos

tanto alcatrão


e a terra

tanta

abandonada

sem pão

30 março 2011

25 de abril sempre! fascismo nunca mais!





é uma atitude completamente incompreensível que, a pretexto da crise política!!! a assembleia da república não assinale o 25 de abril!


a assembleia da república de portugal, a instituição mais simbólica e representativa da democracia portuguesa, resolveu não comemorar a data da revolução, feita por jovens militares no dia 25 de abril de 1974, que permitiu ao povo recuperar a liberdade, acabar com meio século de fascismo e eleger livremente os seus representantes. 

comemorar hoje os ideais do 25 de abril é já um acto simbólico, pois em portugal já quase nada resta das conquistas revolucionárias, mas não o comemorar é ainda mais simbólico.

ao não assinalar o 25 de abril oficialmente, a assembleia da república está a equiparar-se à assembleia regional da madeira, onde alberto joão jardim não permite que tal aconteça.


como encarar tal atitude dos deputados que nos representam no parlamento?

será que esta decisão foi tomada por unanimidade?

será que TODOS, votaram de igual forma?

mas será que estes deputados, ainda representam alguém?


como dizia a minha mãe «já lhes pica a cevada na barriga», que é o mesmo que dizer

que já têm a barriga cheia.

e é por isso que estes partidos representam cada vez menos o povo português.

eu, por mim, reconheço-me cada vez menos neles.

mas não é por isso que deixo de lutar e defender abril.

e o 25 de abril, de certeza! que vai ser comemorado sempre, e em todo o lado, onde ainda houver pessoas
que acreditam num mundo melhor, mais justo, livre da corrupção, solidário e fraterno.

viva o 25 de abril, sempre!






25 março 2011

odisea del amanecer







afeganistão

iraque

líbia


que

outros

mais

países

 se seguirão???


haverá limites

para

este capitalismo selvagem

e

desumano

e para a sua desmedida

ambição?




10 março 2011

era assim o moinho do braamcamp, antes do incêndio





«Nas proximidades de Alburrica, mas no Bico do Mexilhoeiro, está o Moinho do Braamcamp. As informações que dele possuímos referem a sua existência em meados do século XVIII, altura em que o então proprietário Vasco Lourenço Veloso o reedificou, em virtude de ter ficado bastante destruído pelo terramoto de 1755.
Em 1804, os herdeiros de Vasco Veloso venderam o moinho a Venceslau Braamcamp, Barão do Sobral, que o transforma num dos maiores moinhos de maré do estuário do Tejo. Ganha a designação de moinho do Braamcamp.
Mais tarde é vendido mas já por Abraham Wheelhouse a Robert Reynolds, compondo-se a propriedade então de «casas de habitação, armazéns, casa que foi fábrica de bolachas, moinho e motor de água, terras de semeadura e diversas árvores».
A antiga Quinta do Braamcamp, que no final do século XIX era conhecida por Quinta dos Ingleses (por ter pertencido a diversas famílias de origem britânica) foi adquirida pela Sociedade Nacional de Cortiças em 1897, que adaptou o edifício do moinho às suas actividades industriais, função que mantém até à actualidade».
in  Barreiro - O lugar e a História - CARMONA, Rosalina, ed. Junta de Freguesia do Barreiro, 2009, p. 82-83

Era assim ainda em 2009. Hoje o moinho está em risco de desabar e desaparecer por completo, depois que foi devorado por um incêndio na semana passada. O actual proprietário é o Banco Comercial Português, cujos lucros subriram 625% no início do ano. Não será pois nenhum absurdo esperar que o BCP « respeitando os barreirenses e a sua história, e perante os factos ocorridos, faça as obras necessárias à recuperação do moinho e tome todas as providências adequadas à salvaguarda do património que se encontra na antiga Quinta do Braamcamp» pedaços da história viva e do património do Barreiro.
É por isso que aqui fica o link da petição da Associação Barreiro Património Memória e Futuro http://patrimoniobarreiro.org/, e o convite para todos os que a queiram assinar.



26 fevereiro 2011

hoje o rio é uma brisa azul



hoje


o rio é uma brisa

azul






como um olhar



que fosse uma praia
que se espraia


na maré cheia







ou no vento


que sopra do sul





mas
a calma no rio
é apenas aparente




permanente
é o ir e vir
das ondas sobre a areia

agitando as águas
levemente




o rio


como a vida

passa veloz

por nós

como os pensamentos


ou o vento




registo a frase

escrita na muralha

por mão grafiter

tudo o que vem, vai

mas nem tudo o que vai, volta






17 fevereiro 2011

ramal de beja e outras dores de alma




eu cheguei
apanhei o comboio
que assoprava pela linha
às vezes penso comigo

e digo

triste sorte que é a minha

depois de chegar ao barreiro
embarquei
no vapor que passa o tejo

chora por mim
que eu choro por ti

já deixei o alentejo


esta moda era
cantada por alentejanos
quando as circunstâncias
e a vida,
obrigavam a deixar a terra
onde nasceram

veio-me à memória
a propósito da petição pública
que alguém me enviou
e deixo o link
para quem a quiser assinar

já nos tiraram tanto!
para que não nos tirem isso
também

«RAMAL DE BEJA E OUTRAS DORES DE ALMA »



14 fevereiro 2011

cal

a propósito

do livro de josé luis peixoto

e da sua escrita

clara
e
limpa

como a cal

das paredes
e
 portados

da bela
e
luminosa

cidade

de

serpa
























































 
 

31 janeiro 2011

terras de endovélico


horizonte sem limites


nas margens desta ribeira nascem poejos...

hoje não há queijos
talvez
para a próxima vez

a planície
como se fosse o olhar
pela serra d'ossa
à vila do alandroal

terras de endovélico
divindade da idade do ferro
pré-latina
deus da medicina
terras de homens curandeiros

cristianização de antigos sitios pré-históricos


castelo de terena

largo do castelo velho
como dói
o vazio das ruas

sombras do passado

por esta gateira não passam mais gatos


ao fim da tarde
o olhar chega mais longe

perde-se o olhar
de tanto olhar

a noite vem
de mansinho
embrulhada
em xaile de frio
fininho