o que me apetecia mesmo era falar de setúbal. a azáfama do porto de setúbal em dia de trabalho. tudo na labuta. os pescadores de volta das redes e dos barcos. trabalhadores do porto manobram guinchos de puxar os barcos para terra, outros em pequenas reparações, alguns velhos, antigos pescadores, sentados à conversa. poucos turistas em passeio. muitos pescadores com os apetrechos montados, a pescar na muralha. uma mulher pescadora, de bmw ainda dá mais nas vistas. a figura alta e esguia de um homem de pé, pele tostada pelo ar salgado. olha o rio azul que se reflecte no seu olhar, fumando calmamente. talvez numa pausa antes de recomeçar a faina. aprecia... qualquer coisa, ou pessoa que lhe passe pela frente. o cheiro do peixe e da maré, à primeira sensação desagradável, logo se torna natural quando nos damos conta do local em que nos encontramos. é o odor forte e característico de um porto de mar e da lota vizinha. a vista das embarcações de pesca. indescritivel beleza! mil fotografias e não conseguiríamos captá-la, ou todo o labor que envolve essa faina pesada e perigosa, que ainda é a pesca. o colorido dos barcos, arrumados em duas ou três ordens, o seu baloiçar suave nas águas, os gritos das gaivotas e as disputas pelo peixe, a ingenuidade dos nomes inscritos na proa e na popa. sempre a fé, a mística, o nome de alguém querido em reverência temente. à imponderabilidade. em terra, antigas barcaças desoladas, sem préstimo, contapõem a sua desordem. seriam precisas horas e horas para descrever um dia de trabalho e todas as sensações que nos assaltam. as músicas que nos afloram a lembrança, como se já as tivessemos escutado antes, ali naquele preciso local...os poemas que escrevemos mentalmente e não passámos para o papel...talvez num outro dia, mais inspirado..e . era disto tudo que gostaria de falar se não fosse a grécia e a luta de massas e toda a violência que envolve a exploração capitalista e a resistência que é preciso opôr-lhe.











