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03 abril 2011

campos verdes de angústia





verdes são os campos

verdes de angústia são

campos
e
campos

incultos

sem pão

ninguém semeia

sequer

 um grão

nos campos 

 espargos selvagens

a crescer

 nos barrancos

agriões

e não há mãos
para os colher
ninguém para lavrar
estas varjens
de pão


alentejo
abandonado
ao deus-dará



aldeias vazias
de novos
e velhos

não se fala em produção

não consta

nos programas de governo

só campos de solidão


montes 
caídos

campos
e campos
e nada é produzido


vales

cabeços

chapadas

de estevas em flor

e que belas são

desfraldadas
bandeiras
de paz

mas a reforma agrária
a falta que faz


e no meio de nada

fazem-se estradas

pontes e cruzamentos

tanto alcatrão


e a terra

tanta

abandonada

sem pão

20 outubro 2010

esta cidade


foto: josé encarnação

chego

ainda com a luz e o espanto da planície

no olhar

debruço-me sobre a cidade na outra margem

turbilhão de  luzes

cidade do meu enleio

que me desarma

sempre à espera do meu olhar


cidade de angústia

e ainda assim que eu amo


esta cidade

este país

que não adormece

nem acorda

e me entristece

11 junho 2010

um país em vias de extinção

portugal é cada vez mais um país em vias de extinção. primeiro começaram a encerrar as fábricas, a acabar com a indústria de norte a sul do país. arrancaram vinhas, olivais e tudo e mais alguma coisa e destruiram a agricultura. com a pesca fizeram o mesmo. depois como já não havia sectores produtivos viraram-se para os serviços e aí começou o encerramento das escolas  com dez alunos, a seguir foram as maternidades e os centros de saúde - quem quiser ter filhos ou necessitar de assistência médica no interior do país só se for a espanha - agora são as escolas com 21!!! alunos. porquê 21? é porque ainda havia muitas com 20? até escolas recentemente equipadas com as últimas tecnologias, como a escola modelo que o primeiro ministro tanto elogiou não escapou à fúria do encerramento. começaram no interior - e basta afastarmo-nos uns quilómetros do litoral para presenciar a tristeza das aldeias vazias, povoadas por meia dúzia de velhos que resistem até ao fim, só na última década emigraram mais de 700 mil pessoas - e agora, estando o país interior já praticamente encerrado, voltaram-se para o litoral. é o que estão a tentar fazer com o encerramento das urgências pediátricas da maior parte da margem sul. deve ser a ver se pega e a seguir vai o resto.  não seria mais rápido e económico encerrar definitivamente o país - de uma vez por todas! -  e declarar portugal um país em vias de extinção? assim acabavam-se as chatices...

14 maio 2010

este nosso tempo sombrio

entre a festa do futebol e a visita do papa passam em roda-pé notícias do aumento dos impostos, da criação de novos impostos agora chamados taxas especiais, da redução dos salários e das reformas e do subsídio de desemprego, do corte dos direitos de quem trabalha. será isto uma república demcrática, laica,  livre e desenvolvida? a impressão que tenho é que vivo em itália, o primeiro ministro é berllusconi, a imprensa foi comprada pelo governo e a máfia assaltou poder.

12 fevereiro 2010

polvo


polvos e outros cefalópodes abundam na costa. os seus tentáculos estendem-se numa rede que parece interminável. querem dominar tudo. ter tudo sob controle. recentemente li um poema sobre a realidade contemporânea e não compreendi o sentido da palavra polvo. penso agora que era o contexto temporal. talvez o autor já se referisse ao escândalo ainda antes de ele ser público. quando aquele poema for lido, daqui a uns tempos, de certeza a palavra polvo será a marca triste da nossa contemporaneidade. lembrei-me agora de uma série italiana, chamada justamente o polvo, que passava na televisão portuguesa há uns anos. no filme havia um combate sério à máfia que dominava, e domina, toda a estrutura do estado italiano. a personagem principal, um magistrado sem medo, pagou bem caro a sua honestidade e viu a família ser toda assassinada em resultado do seu trabalho de denúncia. ainda assim ele não desistiu do combate. em itália berlusconi começou por comprar jornais, televisão, clubes de futebol, etc. parece que está a fazer escola por cá.

07 fevereiro 2010

EMERGÊNCIA DEMOCRÁTICA NACIONAL. SIM!

S.O.S

“ Resposta urgente ao comentário preocupado da leitora Azinheira e aos demais que vivem a mesma grande e perturbadora ansiedade, a cujo grupo pertence este obscuro cidadão que vos escreve, mas que sendo um militar de Abril por dever moral, calar não se pode e, mais, NÃO DEVE. Dever que obriga a todos os portugueses democratas e, de um modo particular, aos não vencidos ou convencidos militares de Abril, pela plutocracia”

Sim os bons Portugueses dormem, mas sobre esse descansado dormir, a democracia morre ferida de mil ataques, jogadas e misérias mais próprias de um regime dos confins africanos, com vivências à lá mugabe, em termos de uma vergonhosa corrupção económica, politica e moral que nem os tribunais, nem a opinião publica, nem o parlamento julgam.

Parece, sente-se uma fria e terrível sensação de tudo estar saque, e que o aviltamento das almas, sobretudo a do Povo, não pode ser mais trágico. O que aconteceu a este Portugal?

Sim. O que nos aconteceu?

O momento que atravessamos é de uma gravidade extrema a DEMOCRACIA MORRE a machadadas vis com muitas e graves cumplicidades, a maior e mais grave, a da ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA, em que, como corajosamente denuncia Cravinho, os lideres parlamentares parecem assobiarpara o lado nestas horas trágicas que podem acabar muito, muito mal, com o regresso da direita ao poder, muito reforçada pela extrema-direita, pela via eleitoral, por ora, se isso chegar.

Sobre os últimos desenvolvimentos políticos: a negociação do orçamento geral do Estado, as transferências financeiras para a Madeira, ( minha querida terra, sem governo democrático) o caso de Mário Crespo e, mais grave, o envolvendo a compra da TVI, Correio da Manhã e Público, podendo envolver altos dignitários da Governança, só mesmo a completa alienação das coisas da res -publica não obriga a uma clara, pronta e urgente intervenção da Assembleia da Republica, para indagar a verdade sobre todo o esquema que um procurador da Republica e um juiz referem existir nestes casos para tentar alterar o sentido do voto dos portugueses.

Facto que se real, poderia mesmo alterar a configuração legitima e democrática do poder, instituindo, em última instância, uma ditadura da maioria contra a vontade genuína dos eleitores que só se pode exprimir em eleições intrinsecamente livres e democráticas, o que, já mesmo em circunstâncias normais não acontece completamente, mas tanto pior, quando planeadamente se adulteram os mecanismos de formação da opinião

Neste âmbito também cabe e deve:

» O governo analisar e questionar sobre a verdade da existência ou não daquele denunciado esquema, para a tomada viciada do poder pela via eleitoral;

» Ao Sr. Presidente da República questionar o Sr. Procurador Geral da República, sobre os fundamentos da sua decisão de não investigar os indícios, que parece muito prejudicada face aos despachos revelados e às notícias sobre a rede tentacular denunciada na comunicação social para obter os objectivos referidos nos despachos. Rede que tal como é apresentada é coerente com os objectivos pretendidos, ou seja, condicionar gravemente o resultado eleitoral, o que, de acordo com esquema denunciado só não aconteceu por haver liberdade de expressão e uma imprensa não completamente controlada, o que, se procurava eliminar;

» A todos os portugueses exigirem aos vários órgãos constitucionais que ajam, e à Assembleia da República que garanta a legalidade democrática.

Numa palavra é preciso tudo fazer, para que não se perca a essência moral da democracia e da Republica, baseada no comportamento ético dos representantes do povo e no funcionamento legal das várias instituições, e no procedimento de igual modo para todos os cidadãos, como só pode ser o caso, dos tribunais e da justiça.
Se tudo isto ruir: a dignidade dos agentes políticos, a verdade das eleições, o comportamento honesto, a justiça social, a liberdade de expressão, deixa de haver democracia, há somente um simulacro que mais cedo, do que tarde, aproveitará a um qualquer ditador totalitário.

Como militar de Abril independente, somente ligado aos compromissos sagrados e intocáveis do Movimento das Forças Armadas, que se mantêm vivos, e para cujo sucesso contribuí desde sempre. Desde 1972 que denunciava em carta dirigida a um meu camarada a necessidade de nos levantarmos contra o regime podre, não posso calar a minha angústia e revolta, por ver tanto pântano, em que nos afogamos, e, por isto, aqui, ladro, mas quem me ouve?

Poucos, porque, como convém, dirão, o que pode este obscuro cidadão? Nada, mas como cidadão faz o que pode, e faz, assim, o que deve. Dever extensivo a todos os democratas, aos partidos, nomeada e particularmente ao PS que não se pode reduzir à voz troante e incómoda do Sr. Lelo, e ainda de uma forma particularíssima aos MLITARES DE ABRIL NÃO VENCIDOS OU, PIOR, CONVENCIDOS PELA PLUTOCRACIA.

7 Fev. 10. Um momento grave da DEMOCRACIA Fundada em 25 de Abril 1974

andrade da silva

este texto pode ser lido no blog  http://liberdadeecidadania.blogspot.com/