04 fevereiro 2012

minha terra, de florbela espanca










ó minha terra na planície rasa,
branca de sol e cal e de luar,
minha terra que nunca viu o mar
onde tenho o meu pão e a minha casa...


minha terra de tardes sem uma aza
sem um bater de folha... a dormitar...
meu anel de rubis a flamejar,
minha terra mourisca a arder em brasa!

minha terra onde meu irmão nasceu...
aonde a mãe que eu tive e que morreu,
foi moça e loira, amou e foi amada...

truz...truz...truz... eu não tenho onde me acoite,
sou um pobre de longe, é quasi noite...
terra, quero dormir...dá-me pousada!



soneto de florbela espanca, manuscrito de que vi uma cópia,
não sei se editado, dedicado a um seu amigo do barreiro

2 comentários:

Anónimo disse...

É lindo este poema. Só tu para o descobrires. Beijo, Joana

azinheira sou eu disse...

sim, é muito belo este poema joana. foi-me dado a ler por um amigo, amigo da pessoa a quem foi dedicado.
e está assinado pelo punho da própria poeta florbela espanca
bjnhs tb para ti