07 fevereiro 2012

corja





neste país vive a corja, 
que a tudo se permite

 para a corja não há limite

no país da corja 
manda a corja
a sua lei prevalece 
a grei obediente, obedece

até quando?


no país da corja rouba-se tudo
roubam-se direitos
o  trabalho
os salários
férias e feriados
reformas e ordenados

rouba-se a democracia
a liberdade
 a independência
 a soberania

a saúde
a esperança e o porvir
até a alegria de sorrir


 há quem diga que até já roubaram 
a dignidade

e em seu lugar deixaram 
uma esperança vazia
sementes de melancolia

erva rasteira
que gera incapacidade 
de reagir
e resistir

nesse nada 
onde até a utopia fenece
 a corja, bruta, floresce

a corja, ah! se pudesse!  
vingava-se

do vermelho, 
da revolução,
dos cravos e das lutas,
dos capitães e dos poetas,
das palavras, 
e das vozes libertas

mas neste país, 

que não pertence à corja

há um povo 
que só é escravo 
se quiser

porque em cada manhã que desperta

há um dia novo

e uma revolução por fazer


2 comentários:

Anónimo disse...

Esta corja, pela nossa falta de cultura como povo, nunca mais nos larga!
Continue inspirada!
Manuela Fonseca

só planície disse...

infelizmente é verdade...
parece que estamos condenados a viver sob o jugo da corja maldita.
bjnhs manela