20 julho 2011

manhã quase




na manhã quente

o cheiro da palha

quase se toca

e sente

entra pelas narinas


não é o restolho

as hastes 

de  sementes

é apenas erva
seca


a seara

  ausente

     faz ondular a campina


na manhã quente

quase a empurrar a porta

a entrar na casa

escura


quase

a sentir 

as paredes caiadas

a exalar frescura

o salitre
 
a desfazer-se

numa  lembrança

quase morta


se abrisse a porta

 fechada

sentia

a casa vazia

lá dentro o nada


mas fico à entrada


busco na parede anilada

a luz que ilumina o dia


o presságio voa

na brisa

quase me arrepia


poema a partir da leitura do livro de josé luis peixoto uma casa na escuridão

2 comentários:

Marília Gonçalves disse...

linda descrição do Belo Alentejo, na voz límpida do nisso pão
Parabéns Papoila Rubra
e que viva essa Rubra Papoila que traz inscrito o coração de Catarina, voz dos nossos Belos e Magníficos antifascistas e Resistentes, nossos queridos inesquecíveis Amigos.

deixo-te poema que escrevi ontem, referente ao local onde me encontro, em plena montanha, com javalis e gamos e paisagens de sul, embora em França
abraço amigo para ti, e para todos os amigos, que por aqui passem, com essa flâmula de Futuro no Olhar. Beijos
Marília Gonçalves


Aqui onde estou dançam as horas
O tempo tem tempo de chegar
As arvores têm movimento
E o vento montanhoso a voz de mar.

As flores são aves
Que de ramo em ramo
Passam a saltitar
Na distância, o javali, o gamo
onde um fio de água
Passa devagar.

Marília Gonçalves

azinheira sou eu disse...

carissima marília
sempre a tua generosidade que,
por acaso, rima com amizade
e até é verdade.

sempre bela a tua poesia
ou não foras tú uma grande poeta do mundo.

desejo-te umas féria maravilhosas nesse lugar onde estás, que tenho a carteza é lindo.

um beijo grande
rc