18 setembro 2010

aconteceu



aqui

frente ao manto azul

líquido cetim

tejo de calmaria

espero-te


a cidade

grande

colinas e seios

corpo de sereia

agita-se


em mim

bailam

receios


a silhueta do barco

de lisboa

ao barreiro

rasga a seda

corta a perfeição


e agora

o do montijo


(não me sejas um d. sebastião!

que para sempre se perdeu…!)



a certeza

seta certeira

atingi-me

a doer

no coração


já não virás

acabou-se a paz

fico só

comigo


ligo o rádio

oiço aquele fado

da ana moura


“o que foi que aconteceu”


2 comentários:

Marília Gonçalves disse...

Minha terra meu amor
sou e serei sempre tua
por dentro da minha dor
és um raiozinho de lua

Que ninguém pode alcançar
pelos dedos da minha mão
pode escoar o luar
como migalhas de pão.

Tu, que me deste o olhar
mil sons, o sol, a ternura
perfume, voz pra gritar
firme contra a desventura...

Me deste o chão para andar
ao mostrar os teus caminhos
ai, terra, e vou emigrar
assim pago teus carinhos?

Portugal ter de partir
tudo o que penso é em vão
minha flor! Não ver-te abrir?
Estoira meu coração!!


Marília Gonçalves

azinheira disse...

obrigado marília
pela tua poesia
abraço amigo