24 maio 2010

poema de sidónio muralha




parar. parar não paro.
esquecer. esquecer não esqueço.
se carácter custa caro
pago o preço

pago embora seja raro.
mas o homem não tem avesso
e o peso da pedra eu comparo
à força do arremesso

um rio, só se for claro.
correr, sim, mas sem tropeço.
mas se tropeças não paro
- não paro nem mereço.

e que ninguém me dê amparo
nem me pergunte se padeço.
não sou nem serei avaro
- se carácter custa caro
pago o preço.

sidónio muralha
poemas de abril, prelo, 1974



5 comentários:

ARFERLANDIA disse...

Sou o primeiro a reler este poema, que tive ocasião de o dizer para gente que o merecia.
É bom teres-te lembrado dele....

Força, e diz o POVO : - "Os cães ladram e a caravana passa:::" Com a nossa razão caminhamos em frente.

Um beijinho amigo

ARFER

Marília Gonçalves disse...

Minhas filhas chamem os amigos !





Alerta



Grita filha !

há uma aranha

na brancura da parede

que peçonhenta, tamanha

vai tecendo sua rede.

Grita filha !

essa fobia

É protecção natural

contra a aranha sombria

que além de símbolo

é mal !

Grita com todas as forças !

Grita porque há mesmo perigo

essa aranha uma cruz negra

é o pior inimigo.

Por meu amor não te cales !

Grita filha

tua mãe

impele-te pra que fales :

contigo grito também !

Essa aranha que se estende

tem o passo marcial

com fúria que surpreende

o incauto, em voz fatal.

Grita filha

o bicho imundo

sai vertiginosamente

da sombra vinda do fundo

em veneno de serpente.

Tal a jibóia medonha

enrola-se, abraça o mundo

pra ir crescendo em peçonha.

Introduz-se em toda a parte

tudo corrói e desfaz

É inimiga da Arte

do Ser Humano da Paz.

Grita filha !

mas tão alto

num grito tão verdadeiro

que desperte em sobressalto

o que não quer ver primeiro.

Essa aranha pestilência

odeia a própria Cultura

em fogueira que alimenta

livro após livro censura.





Opõe à Humanidade

a sua força brutal

por onde ela passa invade

mata o constitucional !

É um monstro repelente :

primeiro ataca o mais fraco

para ir seguidamente

oculta em cada buraco

destruir a Liberdade.

Inimiga da diferença !

Grita !

minha filha Grita !

Faz ouvir tua presença.

Aponta o bicho feroz,

mostra-o, sacode os amigos

com a força da tua voz !

Grita !

esse enredo de perigos !

Grita filha ! Desta vez

esse grito é racional

porque essa aranha é o não

ao direito universal.

Sem medo abre tua boca !

Grita alto ! Grita forte !

Porque toda a força é pouca

Para lutar contra a morte.

Grita ! Grita minha filha

não te cales nunca mais :

não se veja outra Bastilha

prendendo os próprios jornais !

Que teu grito seja infindo

circule dê volta ao mundo,

jovem voz entusiástica

erguendo o povo profundo

contra a bandeira suástica.

Marília Gonçalves

Marília Gonçalves disse...

O Monstro

Que voz o silêncio em eco levanta

Tremenda feroz gelada sombria

Que nos fecha a mão

nos cala a garganta

E torna a manha gélida,

mais fria

Que vozes de túmulo

Há tanto caladas

Levantam ao cúmulo

O pavor dos dias

E tornam opacas

As brandas paisagens

E tornam as noites tredas

E vazias

Quem anda por dentro

Dos sonhos que temos

Semeando algemas

Que são dessa cor

Em que se amalgamam

Os prantos as penas

Nesse sofrimento

cada vez maior

Em nome de quem

Que monstro severo

Traz em seu sudário

De horrendo luzir

As asas cortadas

Do loiro canário

Que livre pelos ares

Ouvíamos rir

Quem é que nos chega

do mundo dos mortos

com baba de réptil

colando-se em nós

e faz sementeira

no solo que fértil

construímos limpo

sem peias nem pós

na ronda dos dias o povo

cantava

cantando bailava

bailando não via

que o monstro rasteiro

pelos ares espalhava

essa pestilência

de que ele vivia

enquanto a manhã

não amadurar

a luz que se infiltra

nos olhos ao fundo

o monstro escondido

ainda tentará

cobrir de seu bafo

o tempo perdido

e calar o Mundo.

Marília Gonçalves

Marília Gonçalves disse...

Força Alentejo

enquanto subrepticiamente uma corja de bandidos mafiosos a soldo da sua própria imoralidade e corrupção, confortavelmente instalados na ignorante cegueira que tem permitido a mais total perda de identidade como filhos do País que lhes deu e voz e Cultura ancestral,uns tristes desgraçados vendem-se por meia dúzia de irrealizáveis ilusões, facultando aos mandadores a possibilidade de criar um novo tipo de escravatura, onde todos os que trabalham para subsistir,venderão a última parcela de tempo para ir comendo (mal) e para dar aos filhos (com grande esforço) os meios de estudarem para que a nova escravatura prossiga, esta escravatura que deixa como paga do esforço de vidas de trabalho, um prato cada vez mais vazio e empregos donde os filhos tirarão, não o fruto merecido de tanto trabalho e esforço, mas unicamente o pobre espelho do que foi a vida dos pais,
Como diria o Sérgio Godinho: que força é essa amigo, que te põe de bem com outros e de mal contigo!!!?
Quando a situação por vossa inércia
não tiver saída, quando o vosso desespero for tão grande que vos encha os dias e as noites, quando se sentirem tão infelizes e desgraçados sem ver uma nesga de luz ao longe para onde avançar...
lembrem-se de nós! nós, que vossos amigos, como se de irmãos se tratara tantas vezes vos avisámos de PERIGO!
Ou nos escutam hoje e despertam dessa malvada letargia, ou bem cedo verão o preço da preguiça de pensar e as consequências irremediáveis da cobardia!

Amanhã dia 29 de Maio é dia de Luta por vossos direitos, portem-se como gente que são e venham para as ruas gritar o vosso não à corrupção e ao abuso desenvergonhado dos governantes!


Marília Gonçalves

azinheira sou eu disse...

marília
amanhã vai ser uma grande manifestação contra sócrates e a corja que nos geverna