30 abril 2010

maio maduro maio


Maio maduro Maio
quem te pintou
quem te quebrou o encanto
nunca te amou
raiava o sol já no sul
e uma falua vinha
lá de Istambul

sempre depois da sesta
chamando as flores
era o dia da festa
Maio de amores
era o dia de cantar
e uma falua andava
ao longe a varar


Maio com meu amigo
quem dera já
sempre no mês do trigo
se cantará
qu'importa a fúria do mar
que a voz não te esmoreça
vamos lutar

numa rua comprida
el rei-pastor
vende o soro da vida
que mata a dor
anda ver, Maio nasceu
que a voz não te esmoreça
a turba rompeu

Zeca Afonso


4 comentários:

Marília Gonçalves disse...

Papoila Rubra, Amiga

Que na beleza do teu poema, a turba, ave canora, faça potente ouvir sua voz e erga a alavanca de seu braço
Defendendo-se defende Abril, suas conquistas e o nosso belo Portugal
Parabéns pelo lindo poema
abraço de Abril
Marília

Marília Gonçalves disse...

1° de Maio Diia do Trabalhador, 1° de Maio de tanto desempregado 1° de Maio de teu sangue e do suor pelo teu pão ganho a custo e tão contado 1° de Maio de Alentejos de searas Marinhas Grandes de batalhas contra os Párias desse Maio que vai de Norte a Sul negrume imundo que cobre o céu azul 1° de Maio de ceifeiras, pescadores dos operários fabris de cansaço e dissabores 1° de Maio para o povo português que se desperta, vai ser Maio todo o mês! 1° de Maio quando a mesa do ricaço ostenta o luxo que é fruto do teu cansaço 1° de Maio que renasce cada ano entre promessas e mentiras e engano 1° de Maio é tempo de despeitar o pão que é teu e que falta amadurar 1° de Maio de colheitas por fazer do teu suor que não pára de correr Outros festejam entre risos, rendas vinho faltas herdadas desde há muito em teu caminho hoje é o dia de te ergueres contra a desgraça é bem maior do que o medo e a ameaça Hoje é o Maio de sangue de Catarina essa Mulher que foi mãe e heroína Ondas de sal que inundaram a campina e desse mar de labutas luto e dores triste quinhão da vida dos pescadores Hoje é o Maio dos artistas operários que erguem o mundo contra ventos que contrários levam as casas e lhes deixam por abrigo casas ao vento onde o mês é inimigo de longos dias a contar o mês sem fim enquanto ricos vivem sempre no festim! Pois se hoje é Maio vamos todos despertar todos nós temos o direito de sonhar porque o trabalho foi regado com suor que a alegria seja a paga do labor o sofrimento não nos serve de salário queremos que Abril volte ao nosso calendário não queremos leis dum poder que é arbitrário Queremos Abril 25 a escrever o nosso erário e que o Mundo se retorne em se contràrio
Marília Gonçalves

azinheira sou eu disse...

marilia
este belo poema foi escrito por zeca afonso, como deves saber. só problemas informáticos de me impediram de corrigir a sua edição e a colocação destas papoilas/bandeiras vermelhas que erguemos neste maio contra a exploaração capitalista. viva o primeiro de maio!

o teu poema é muito belo e exaltante
abraços de maio

Marília Gonçalves disse...

Papoila Rubra, querida amiga

o último verso do poema 1° de Maio:
todos fraternos renegamos o agressor

Marília