30 março 2010

pano para mangas II



o alentejo no máximo esplendor. nos céus águias fazem pinchos e lançam-se sobre presas. espinheiros brancos de flor explodem em perfume, despontando odores. doces e rudes azinheiras, belas e floridas. apelos de toda a natureza. que vontade de captar todas as imagens e retê-las para sempre no olhar. as cotovias com as suas altas poupinhas cantam a sua fala, pousadas na beira do caminho. trigueirões empuleirados no mais alto raminho.
que desejo de guardar este soar, para sempre. o lápis preto não consegue desenhar os caracteres de todas as emoções. um casal de andorinhas das barreiras, lindíssimas, fazem uma tentativa de amor. cartaxinhos pousam no arame farpado. apenas o arame farpado que não nos deixa sair do caminho, me rasga o braço e trás de volta à realidade. já não é possível andar pelo campo em liberdade. e aquelas vontades que nos dão e aquele pensamento que nos surge, quando estamos cagando ao vento, como escrevia bocage. agora não podemos. os senhores do alentejo não deixam.  

2 comentários:

Marília Gonçalves disse...

Amiga
imagens coloridas e uma leve alusão ao auto-retrato do Bocage, ainda que nos livros escolares a chave de ouro de que mantiveste a tonalidade; tenham pelos que temem franca linguagem sido substituída por uma outra expressão talvez mais pachorrenta mas menos verdadeira

abraço
Marília

azinheira sou eu disse...

marília
pois... o poeta sadino tinha essa qualidade de chamar as coisa pelos nomes verdadeiros...