10 janeiro 2010

filosofias à volta do lume



a chuva desceu como cortina de pingos grossos. caem no telhado como música, que só oiço noalentejo. o lume que arde à minha frente e as rabanadas de vento que fustigam as oliveiras do quintal e as laranjeiras da rua, fazem-me perguntas. questionam-me acerca de quem inventou as telhas que cobrem o telhado. quem descobriu que, colocadas de certa maneira, ligeiramente sobrepostas e em plano inclinado, aos pares, de modelo romano (planas) ou em canudo (mouriscas), impedem que a àgua da chuva penetre em casa e nos molhe. de quem terá sido a ideia e quando e como descobriu que funcionava. o lume reclama a minha atenção. acabo com a filosofia e coloco mais um madeiro.

4 comentários:

Ana Camarra disse...

Sabe sempre bem...

sou azinheira disse...

sabe mesmo ana...
havemos de combinar uma sessão destas filosofias de cordel à volta do meu lume.
mas antes, vê lá se começas com o pé direito, ou é o esquerdo?

Ana Camarra disse...

o meu lado esquerdo está sempre em forma, a direita é que me lixa...

Marília Gonçalves disse...

é porque do fundo dos tempos descemos das árvores para um sem fim de aprendizagens e descobertas, que hoje, por todos os que nos antecederam, fazendo de cada sofrimento uma liçao para o passo futuro, que temos que unidos homens e mulheres erguer nossos corpos no caminho, fazendo troar nossas vozes,
para que tanto esforço, tanta névoa desfeita no pensar se não percam para sempre.
Nós aqui estamos
Marília Gonçalves